Opinião – Sol, fogos e… crise

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Álvaro Amaro

Aí está o Verão. De comum com todos os outros, chegou o sol radioso como chegaram também os terríveis incêndios. Fora de comum, uma crise que se prolonga no País e na Europa.

Quanto ao bonito sol, nada a dizer e muito menos a opor. Na verdade, em maior ou menor intensidade, mal fora que não chegasse até nós, pese embora, aqui e ali algo indefinido. Ainda assim, como muito bem aconselhou o Primeiro-Ministro aos “seus” governantes, desta vez convém mesmo dar o exemplo, “indo para fora, cá dentro”. É mesmo importante que se contribua para o aumento da procura interna. Bem basta todos aqueles que gostariam de o fazer e claramente não têm agora as mesmas possibilidades que noutros anos.

E quanto aos terríveis incêndios?! Será que podemos dizer coisa diferente do que tudo quanto tem sido dito e escrito ao longo dos últimos anos?!

Talvez não.

Mesmo assim, arrisco a salientar, em início de época, aquilo a que parece estarmos “condenados” a assistir, infelizmente com alguma passividade.

Então admite-se que altos responsáveis da protecção civil assumam que erraram na coordenação das forças de combate aos fogos e tudo fique como dantes?!

Esteve bem o Presidente da Liga dos Bombeiros – Jaime Soares – ao pôr o dedo na ferida no momento certo e sem “papas na língua”, qualidade que, aliás, todos lhe reconhecem nas suas posições.

Claro que é unanimemente aceite o problema da gestão florestal.

Claro que é evidente o absentismo.

Claro que é notória a exiguidade das acções de prevenção.

É tudo tão claro que até parece ridículo não haver coragem de se perceber que, por todas aquelas razões, não se legisle no sentido da obrigatoriedade de tratamento em termos individuais ou em Zonas de Intervenção Florestal. E quando assim não pudesse acontecer, sejam quais forem as razões, então não deve ser o Estado a assumir o seu papel de intervenção?!

A questão é mesmo essa. Ou a floresta é mesmo um recurso, para além de ambiental, economicamente importante, ou então vamos continuar a “chorar lágrimas de crocodilo”.

Haja coragem!

Mas se, infelizmente, e pelas mais variadas razões os fogos deflagram, então têm de ser combatidos.

Também aqui todos reconhecemos o enorme espírito dos nossos bombeiros, mas ano após ano são cada vez mais claras as falhas imperdoáveis de coordenação.

Faltará debater mais?!

Faltará inventar algum novo modelo?

Faltará consensualizar alguma medida?

Em suma: alguém que sente à mesa tantas cabeças pensantes e cheguemos ao caminho que todos devemos seguir com vista à união de esforços para que não sucedam sistematicamente as notícias que, ano após ano, nos chegam de vários pontos do país.

Mas se felizmente temos o bom sol e, infelizmente, os terríveis incêndios, neste Verão somos confrontados com uma crise difícil de superar e uma incerteza capaz de nos atormentar.

Ainda assim, como reza a história, façamos das fraquezas as forças e acreditemos que somos capazes de vencer.

É imperioso que nos seja devolvida a esperança.

E para isso também a Europa tem de acertar o passo.

E, já agora, que não se esteja a “lixar” para tudo isto.

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