Opinião – As eleições de junho e a europa federalista

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Luís Vilar

No mês de Junho realizaram-se diversas eleições em todo o mundo, em particular na Europa, que poderão ser determinantes para o futuro do Conceito Europeu.

Também se realizaram eleições internas no PS e o PSD já fez saber que, até às eleições autárquicas de Outubro de 2013, não haverá eleições internas.

Na Grécia, venceu novamente a Nova Democracia, sendo que, desta vez, conseguiram formar uma maioria parlamentar de coligação. É meu entendimento que os partidos políticos gregos tradicionais tiveram a sua última oportunidade em Democracia.

Para bem do Povo Grego e da Europa, espero que o Governo saído destas eleições, com alguma moderação das exigências da Troika, consiga recuperar a Grécia.

Em França, o Partido Socialista saiu reforçado nas eleições legislativas e algumas das promessas eleitorais começam a fazer efeito, não só no plano interno, como na saída para a crise do euro, através da defesa de acrescentar ao controlo do défice novas políticas de apoio à economia e ao emprego.

No Egipto, as eleições presidenciais realizaram-se e, pela primeira vez, têm um Presidente Civil saído das urnas.

Finalmente, nas eleições internas do PS (Federações, Concelhias e Secções) saíram ainda mais reforçadas as posições do Secretário-Geral, António José Seguro, em particular nas Federações do Porto e de Coimbra.

O PS tem agora a oportunidade de começar a trabalhar para as Autárquicas de 2013, com mais de 1 ano de antecedência e deve-o fazer sem qualquer espírito de “guerrilha” interna, uma vez que as populações estão pouco interessadas nas questões de partidarite e de jogos de poder.

Portugal, após a cimeira europeia de 28 de Junho e as seguintes, agora no mês de Julho, pode vir a beneficiar de um prazo mais dilatado, de uma menor pressão dos “famigerados mercados”, de uma redução das taxas de juro, mas terá de conseguir equilibrar o défice público, sob pena de não sermos credíveis, a nível internacional.

Como as medidas de retenção salarial, do aumento de impostos directos e indirectos, em particular sobre a classe média, já atingiu o limite máximo, importa que o Governo (que já tem 1 ano de exercício) faça, rapidamente, o já efectuado, a título excepcional, segundo a sua versão, à esmagadora maioria dos portugueses:

A título excepcional e até se atingir o défice público acordado, deveriam:

Tal como já fazem nos organismos públicos descentralizados, reduzir em 30% as despesas dos Gabinetes dos Ministérios face às verbas inscritas no OE/2012;

Renegociar a rentabilidade das parcerias públicas e privadas para um limite máximo de rentabilidade de 6 a 9%, como foi feito com os vencimentos e pensões;

Reduzir o vencimento máximo, em qualquer organismo que tenha dinheiros públicos, para o vencimento do Presidente da República. Sobre este assunto, o escândalo é tão grande que o Governador do Banco de Portugal ganha mais do que o Governador do Banco Central Francês, ou do Banco Federal dos EUA;

Terminar de imediato com todos os Institutos e Empresas Municipais, passando as suas competências para os respectivos Ministérios e Câmaras, extinguindo-se os órgãos sociais e nomeando-se um Director-Geral.

Só estas 4 medidas teriam mais efeito do lado da despesa pública e na redução do défice, do que o corte do 13º e 14º mês aos funcionários públicos e pensionistas, que durante a sua vida de trabalho, muitos descontaram sobre 14 meses, e agora só recebem 12 meses.

Sei que os interesses instalados, nos mais diversos quadrantes políticos são muitos. Alguns são Administradores não executivos em mais de 8 empresas do sector público, mas a Classe Média é que não pode continuar a ser castigada, até porque sem ela, os extremismos ganham força.

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