Opinião – Sempre o mesmo!

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Francisco Queirós

Na semana em que o PCP apresentou uma moção de censura ao governo que o PS votou abstendo-se, colocando-se de novo ao lado do governo, não faltam notícias sobre o agravamento da crise. E bem que o cronista gostaria de tratar assuntos felizes.

Quando muito, face à dificuldade permanente de seleccionar um tema, optásse o narrador por discorrer sobre estados de saúde ou a qualidade dos frutos e a suculência de certos alimentos. Mas não, teimará o autor nas desgraças. Pese embora o concerto da Madonna. Mesmo ao arrepio da alegria contagiante e em bola de neve dos resultados da selecção. Quem sabe já apurada para a final à hora em que se lê este texto.

Havia sempre outras opções, que diabo! Por exemplo, enaltecer o poder judicial que desta vez, pelo menos, esteve muito bem na defesa dos direitos dos jornalistas e da liberdade de imprensa, ao condenar o deputado Ricardo Rodrigues, que se apropriou dos gravadores de dois jornalistas da revista “Sábado”, a uma pena de multa de 4950 euros. E que tal comentar-se os dons divinatórios da actriz pornográfica Viviane Caprice que nos seios revela os resultados dos jogos do Euro, embora tal dom nos seja desfavorável, com a anunciação peitoral de uma final Alemanha/Espanha!

Mas não! Na verdade, o que enche os jornais dos últimos dias, o que se ouve nas rádios e se vê nas televisões e sobretudo o que se vê, ouve e vive nas ruas e nos locais de trabalho, mesmo com Madonna e com futebol, não deixa muitas outras opções. E não é pessimismo. É realismo. Podia escrever sobre estados de saúde, podia! Mas vejam-se apenas alguns títulos dos jornais: “Em 3 anos saíram 23 mil professores do quadro”; ”Presidente do BPI diz que há sectores com margem para mais austeridade”; ”Doentes esperam cada vez mais tempo por consultas nos hospitais”; “Há cada vez mais portugueses a deixarem de tomar medicamentos por falta de dinheiro para os comprar”. Chega! “ O primeiro-ministro afirma que os portugueses estão mais perto de sair da crise”. Basta!

Os portugueses contam e recontam os cêntimos num ano em que serão muitos mais os que não terão férias. Os portugueses raspam o fundo das bolsas à procura de qualquer coisa. E entretanto os serviços públicos são piores ou encerram e tornam-se, violando a Constituição, já não tendencicalmente grtuitos mas largamente pagos, como na área da saúde onde as taxas moderadoras são de facto um pagamento de serviço ou no ensino com as propinas.

Está calor, estás-se bem na praia, há Madonna e vitórias no futebol. “Não querias ir por aí, falasses então da saúde das pessoas, do sabor dos alimentos, das maravilhas da natureza!Mas não! Sempre o mesmo!” Mas firmente convicto que é possível ser diferente!

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