Opinião – O pleno emprego e o crescimento equilibrado

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Com 23 milhões de desempregados, 80 milhões de pobres, a explosão do emprego precário, a estagnação dos salários e do poder de compra, o aparecimento de trabalhadores pobres, o colapso das classes médias, o alargamento das desigualdades de rendimento, os objectivos do pleno emprego e da melhoria do nível de vida dos europeus não estão a ser atingidos.

Esta situação ameaça a coesão social e a paz social no seio da União.
Com o sobreendividamento público (9828 mil milhões de euros no final de 2010), financiados em 2/3 pelos não-residentes, os défices externos da maioria dos países da União e as colossais reservas acumuladas por alguns países emergentes como a China (3.200 mil milhões de euros), o objectivo do crescimento económico equilibrado da União Europeia não é atingido. Esta situação ameaça a coesão económica e territorial da União e a sua independência económica face a países terceiros.
De todos estes problemas, o desemprego é o mais intolerável. Grande atentado à dignidade, à igualdade de oportunidades e à liberdade, o desemprego é a primeira causa de exclusão social, de pobreza e de desespero, em especial para os jovens e para os desempregados de longa duração. O primeiro dever económico e social dos poderes públicos é o de criar as condições de pleno emprego e da melhoria do nível de vida de todos os cidadãos.
De todos estes males, a enorme acumulação de reservas cambiais pela China, em detrimento da sua procura interna, é a mais perigosa. Na verdade esta acumulação implica riscos de tensões e de grandes conflitos internacionais pelo crescente poder que dá à China para o controle, no mundo inteiro, dos recursos energéticos e mineiros assim como das terras agrícolas, das redes logísticas mundiais e das empresas ocidentais que lhes trarão as marcas registadas, as redes comerciais e as tecnologias necessárias para as suas capacidades de exportação.
A educação, a investigação e a inovação, as tecnologias de ponta e o topo de gama são indispensáveis mas não serão suficientes para re-industrializar a União e para que se alcance o pleno emprego. De facto, a maior parte dos produtos inovadores, concebidos nos países desenvolvidos, são fabricados nos países emergentes desde a sua criação e, portanto, não geram nenhum emprego industrial nos países desenvolvidos. Além disso, a distância geográfica entre concepção e fabrico não é favorável ao desenvolvimento tecnológico e à optimização técnico-económica dos produtos.
Além disso, alguns países emergentes dispõem de uma reserva de engenheiros e de técnicos que lhes permite desenvolver as tecnologias necessárias na maioria das fileiras industriais. Notemos também que as empresas europeias começaram a deslocalizar parte da sua investigação e desenvolvimento para os países emergentes a fim de reduzir o seu custo.
Por fim, as suas reservas cambiais permitem, a alguns países emergentes, comprar as empresas ocidentais que, para além das marcas e das redes de distribuição, lhes permitem acesso às tecnologias que ainda não dispõem. Além disso, a propriedade intelectual dos países europeus é regularmente prejudicada por alguns países emergentes. A última vantagem competitiva dos países desenvolvidos relativamente a alguns países emergentes, está pois em vias de desaparecimento rápido. Subsistirá então, e por muitos anos, a vantagem competitiva destes países: muito menores custos de trabalho e com uma produtividade industrial equivalente.

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