Transportes públicos

Maria Manuel Leitão Marques

Nairobi é a segunda capital de um país africano que visito onde é muito difícil circular. Durante o dia, todas as horas são de ponta e os carros ocupam de tal modo as estradas que quase paralisam o trânsito.

3 km podem demorar 1 h a percorrer e contaram-me que, por isso, o governo se desloca de helicóptero. Nenhuma dessas duas cidades é capital de um país rico, ou melhor, de um país onde a generalidade da população tenha automóvel. O problema é que em qualquer deles, como em outros países africanos, não há transportes públicos. Os transportes coletivos são privados e de fraca qualidade, verdadeiras “latas de sardinha” onde as pessoas se amassam para caber sempre mais uma. Pode dizer-se, é certo, que não há melhor oferta porque não haveria procura para ela. Por uma questão de status, segurança ou comodidade, as pessoas circulariam no seu carro mesmo que a oferta de transportes coletivos fosse de boa qualidade. A pensar na experiência cá da terra, admitamos que é capaz de ser verdade.

Aterremos então em Portugal que é exatamente aonde eu queria chegar. Em Lisboa, por exemplo, o uso de transporte próprio não será também excessivo? Esta crise tem-nos feito mudar de hábitos, em alguns casos, reaver alguns bons hábitos. Já não trocamos de casa por dá cá aquela palha, já não o fazemos com 110% de empréstimo bancário, já não compramos a crédito tudo isto e mais aquilo. Talvez seja também o bom momento para substituir o nosso carro pelo transporte público, quando tal seja viável. Não apenas os que precisam mesmo de poupar na gasolina, mas todos nós em geral podemos ganhar muito com isso. Se usarmos mais os transportes públicos, entupimos menos as cidades, permitindo uma circulação mais rápida a quem tem mesmo de se mover nela; diminuímos a poluição do ar que respiramos; e principalmente contribuímos para a sustentabilidade financeira dos transportes de qualidade de que temos o privilégio de dispor. Limpos, modernos, seguros, desde o autocarro e o elétrico, passando pelo metro e o comboio onde até se pode ler. Esta é, sem dúvida, uma rede preciosa. Merece que sejamos suas fãs!

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