Sr.ª ministra: a agricultura não vai lá com fé(s)

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Carlos Laranjeira

A ministra anunciou 40 milhões de euros para o programa da seca. Sem dúvida, uma gota de água que não levará a nada se não forem praticadas medidas sérias de apoio aos agricultores.

É preciso passar à prática para que a agricultura nacional não seja mais prejudicada com as leviandades políticas que se prendem com votos favoráveis, com acordos comunitários, com o Mercosul, a China e Marrocos que destroem a economia e a agricultura portuguesa só para ficarem bem na fotografia, para depois nos caluniarem dizendo que nos dão milhões.

Diz o Governo que se trata de uma ajuda para todo o país. Mas não especificou. E há regiões, onde os agricultores estão cansados de serem esquecidos e, até, mesmo prejudicados. Os produtores do Baixo Mondego sabem do que falo. A ministra não teve o prazer, nem nos deu o prazer de, a nós agricultores e aos municípios que a convidaram, de vir uma única vez ao Baixo Mondego dar a cara e afirmar o que tem para dizer em relação às obras. Continua a falar muito em agricultura, mas esqueceu-se que o Baixo Mondego é a fábrica dos agricultores e sem essas obras que esperam há tantos anos, eles não conseguem melhorar a sua economia e a economia do país.

Não veio ao Mondego para ver as obras e explicar as decisões aos agricultores. Mas veio às Gândaras para ver uma vacaria de um sobrevivente do setor leiteiro. É preciso perceber que a vinda da senhora ministra da Agricultura a uma vacaria onde esteve 20 minutos, tendo entrado por um lado e saído por outro, limitando-se a ‘mandar umas bocas’ à seca não resolve os graves problemas da agricultura. Uma ministra que vai ao Alentejo a convite de uma multinacional para ver uma máquina apanhar azeitona ou que vai à Danone, em Castelo Branco, é nitidamente uma ministra desenquadrada da realidade nacional.

A Escola Agrária de Coimbra – também lembrada como a Escola dos Regentes Agrícolas – assinalou recentemente, os 125 anos. É obra! Mas ninguém do Ministério se dignou estar presente. Delegaram na senhora diretora regional, por quem temos muito respeito e muito admiramos. Mas consideramos que os 125 anos a construir a agricultura na metrópole e no Ultramar português, onde ficou obra e onde ainda repousam muitos desses homens que daqui foram, mereciam maior consideração, reconhecimento e gratidão. Cerca de 400 pessoas marcaram presença. Mas muitos, infelizmente, já não estiveram.

Será que temos Ministério da Agricultura? A mim e aos agricultores que represento, parece-me que não! Afinal, todos os convites que temos feito à senhora ministra são remetidos para o gabinete do senhor secretário de Estado. É preciso não esquecer que a senhora ministra convoca uma reunião para falar de seca e vai para Angola.

A realidade que vivem os agricultores portugueses não é coisa que os ‘computodependentes’ saibam ou, mesmo, entendam. A agricultura não é uma ciência certa onde nem sempre 3×9 são 27. Por vezes, 3×9 é nada. Espero que a senhora ministra não venha invocar a sua fé quando anunciar a morte da agricultura portuguesa, como fez com a seca. Deus é grande, como diz.

Mas os agricultores portugueses precisam, e muito, da ação dos homens (políticos) a quem cabe negociar e salvaguardar os intereses dos seus países. Pare senhora ministra. E olhe, com olhos de ver – e de sentir – os homens e mulheres que ainda teimam em salvar a agricultura portuguesa.

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