Quem manda aqui… São eles?!

Posted by

 Francisco Queirós

O homem chamou os jornalistas e anunciou. Estão a pensar eliminar de vez os 13.º e 14.º meses de ordenados, os subsídios de férias e de Natal, aos pensionistas e funcionários públicos. Pelo menos não descartam a possibilidade.

Não, não foi Passos Coelho ou o inefável ministro das Finanças a confessá-lo. O anúncio foi proclamado em Bruxelas pelo senhor Peter Weiss, da direção geral dos Assuntos Económicos da Comissão Europeia e chefe-adjunto da autoproclamada “missão de ajuda externa”, essa organização duvidosa a que vulgarmente chamamos troika.

Tal medida poderá mesmo ser extensiva aos trabalhadores do setor privado. E comentadores e políticos locais, como o paroquiano Relvas, paquetes e moços-de-frete da perversa troika, afirmam mesmo que em muitos países europeus tais subsídios não existem. Logo, também não descartam a putativa medida avançada pelo missionário Peter. E pronto!

Pronto, não! Quem é o senhor Weiss para decidir sobre os ordenados dos portugueses, a milhares de quilómetros deste país? Quem o elegeu? A que órgão de soberania pertence? Que soberania é essa que se sobrepõe a de um estado soberano? Quem o chamou? Sim, quem o chamou e à restante comandita agressora? Ao pedido do PS, juntaram-se o PSD e o CDS.

E a despropósito ou não tanto: que bonito é verem-se ministros e secretários com a bandeira nacional ao peito! Necessitarão assim tanto de permanentemente se recordarem que são portugueses e que governam (ou não?) Portugal?

Os ordenados dos trabalhadores portugueses são comparáveis aos vencimentos dos trabalhadores do norte da Europa? Não é verdade que em vários desses países – e isso não dizem! – os ordenados são semanais, logo são 52 vencimentos/ano o que equivale a 13 mensais? E essa rapaziada não sabe, ou sabe mas esconde, que os trabalhadores desses países auferem vários outros benefícios?

Um país em que o poder de compra desce a pique – no último trimestre do ano passado o consumo privado caiu 6,5 por cento – a inflação aumenta, onde se instalou a recessão económica e desaparecem ou se torna escandalosamente caro o acesso a diversos serviços públicos, como a saúde e a educação, terá, este país, de se sujeitar aos ditames imperiais, como se de facto fosse um protetorado – muito mal protegido – ou um quintalejo das traseiras entregue à guarda de uns Coelhos e Relvas, quais capatazes e feitores?

Autor: Francisco Queirós

 

One Comment

  1. José coimbra says:

    É pena que a maioria deste povo aceite passiva e compassivamente.Afinal houve uma Islândia, muito bem mais pequena que nós que os teve, os ditos cujos, no sitío.Triste país.Triste traidores, os "Miguel de Vasconcelos" dos tempos atuais.Totalmente de acordo com o conteúdo do texto.Que não lhe doa a pena para continuar a denunciar os ditames da "democracia" musculada, como bem diria o poeta.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.