Neto de Aristides Sousa Mendes confia na resolução de diferendo sobre museu

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Um neto do cônsul Aristides de Sousa Mendes mostra-se esperançado na resolução do diferendo em torno dos órgãos sociais da fundação com o nome do avô, lamentando os atrasos que provocou na recuperação da casa.

“Não quero falar muito sobre isso, porque são situações que me incomodam e atrasaram a recuperação da casa [do Passal]. De qualquer modo, penso que está tudo a encaminhar-se no bom sentido”, afirmou Álvaro Sousa Mendes aos jornalistas, em Cabanas de Viriato, onde se realizou uma celebração em memória do diplomata português, no dia do 58.º aniversário da sua morte.

No ano passado, Álvaro Sousa Mendes, primeiro presidente do conselho de administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes, acusou um irmão de ter “usurpado” o cargo de presidente do conselho geral – vago desde a morte de um tio em 2005 – e de ter nomeado para presidente do conselho de administração a economista Mariana Abrantes.

Álvaro de Sousa Mendes lembrou que foi ele e um primo que decidiram avançar com a criação da fundação e a colocaram a funcionar e lamentou que, “de repente, aconteçam situações polémicas, incómodas, que atrasam as obras” e passam uma má imagem.

“Quando criei a fundação não foi com a ideia de quando eu morrer ela acabar, mas sim que continue por muitos e bons anos, porque estamos a falar de direitos humanos, de algo que há-de sempre dizer alguma coisa a todos”, frisou.

O neto de Aristides de Sousa Mendes lembrou que o principal objetivo da fundação é recuperar a Casa do Passal, de Cabanas de Viriato, que está em avançado estado de degradação, e transformá-la “num museu e centro de direitos humanos”.

Segundo Álvaro de Sousa Mendes, só para recuperar o telhado que está a cair e “endireitar a casa”, serão precisos 150 mil euros. Depois, o projeto de recuperação ficará “1,5 ou dois milhões de euros”, estimou.

Hoje, três dezenas de pessoas – nomeadamente alguns netos e outros familiares do antigo cônsul de Portugal em Bordéus e membros da Câmara de Carregal do Sal – participaram em Cabanas de Viriato na iniciativa promovida pela Confederação Portuguesa do Voluntariado, coordenada pelo padre João Rodrigues, do Secretariado Diocesano da Pastoral Social.

Durante a homilia, o padre lembrou que Aristides de Sousa Mendes “não atraiçoou a humanidade”, optando por desafiar as ordens que tinha do Governo e conceder 30 mil vistos de entrada em Portugal, cerca de dez mil a judeus.

“Há valores que estão acima de tudo”, afirmou, considerando que “esta mensagem tem que se dar a conhecer”, sobretudo “quando hoje tanta gente se vende por 30 dinheiros”.

Um postal lançado lembra que Aristides de Sousa Mendes foi demitido por Oliveira Salazar, presidente do governo da ditadura, reformado compulsivamente e impedido de exercer advocacia.

“Sobreviveu graças à solidariedade da comunidade judaica de Lisboa. Faleceu muito pobre, em abril de 1954. Não tendo fato próprio, foi enterrado com um hábito franciscano”, acrescenta o postal.

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