Descobrir o castelo de Coimbra que o marquês de Pombal destruiu

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A riqueza dos povos mede-se também, há quem afirme que sobretudo, pelo seu património cultural e material. É precisamente neste registo, entre o global e o local, com destaque para a necessária proteção das especificidades que fazem essa riqueza, que se inscreve o repto lançado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico às diversas entidades envolvidas na dinamização do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, assinalado esta quarta-feira.

 
O que a UNESCO – organismo das Nações Unidas para para a Educação, Ciência e Cultura – propõe neste ano em que assinala o 40.º aniversário da Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural – no âmbito da qual se estabeleceu a lista do Património Mundial, a que Coimbra (Alta e Sofia) se encontra candidatada, é a necessária proteção e a gestão sábia de um património que pode e deve fazer a diferença num mundo cada vez mais global.
Ora, entre as muitas e interessantes propostas que hoje desafiam os diversos públicos um pouco por toda a região Centro, destacamos aqui uma iniciativa que apela a um exercício de memória fundamental para a preservação da tal especificidade que faz a riqueza das comunidades. E, afinal, quem sabe que o castelo de Coimbra, que marcou a defesa e consolidação do território da cidade na sua mais nobre colina foi destruído, a mando do Marquês de Pombal, sacrificado aos “novos” valores da ciência e do conhecimento com a reestruturação do ensino universitário e a construção dos novos edifícios da Universidade de Coimbra nas últimas décadas do século XVIII?
Pois quem não sabe – e quem sabe também –, não pode perder a sessão marcada para esta tarde, a partir das 17H00, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e toda dedicada ao castelo de Coimbra, o “ilustre desconhecido” sacrificado pela universidade, que assim alarga o âmbito do ciclo de conferências “Objetos com história”.

Da importância na fundação
de Portugal ao esquecimento
O facto é que o castelo de Coimbra teve um papel fundamental na criação do que viria a ser Portugal, mas a sua demolição, a mando do Marquês de Pombal, fê-lo cair no esquecimento. Esta tarde, Berta Duarte, diretora do Museu Municipal de Coimbra, propõe-se fazê-lo “renascer” na memória dos que aceitarem o convite. A entrada é livre.
Para a especialista, “o castelo de Coimbra foi uma estrutura fundamental na defesa e consolidação de um território cujo domínio, durante muito tempo, alternou entre muçulmanos e cristãos. Situava-se no topo mais alto da colina, numa localização essencial para a estratégia de defesa”. A responsável pela Divisão de Museologia da Câmara Municipal de Coimbra lembra que a história do castelo se cruza com a própria história da universidade, uma vez que não conseguiu resistir, na época moderna, às grandes transformações que a instalação definitiva em Coimbra provocou na estrutura urbana, particularmente durante a Reforma Pombalina.

Lídia Pereira
lidia.pereira@asbeiras.pt

One Comment

  1. Henrique Costa says:

    Quem segue o acordo ortográfico não me parece que respeite a "necessária proteção das especificidades que fazem essa riqueza"(cultural)… Conclusão Santana Lopes e Sócrates foram o Marquês de Pombal do século XXI mas infelizmente só na parte negativa…

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