“Museu do Brincar” transforma antiga Câmara de Vagos em espaço de fantasia

Paulo Novais/Lusa

A vila de Vagos vai dispor de um “Museu do Brincar“, nos antigos Paços do Concelho, com cerca de 15 mil peças de diferentes gerações e latitudes, dispostas num percurso de descoberta e aventura.

A aposta é da Câmara Municipal, que lançou o desafio ao grupo de teatro infantil Arlequim para transformar aquele espaço num mundo de fantasia, com o espólio recolhido junto de vários colecionadores.

Carlos “Jakas”, presidente do Arlequim, afirma que o novo espaço, que deverá abrir portas em abril, corresponde a um conceito “mais alargado” de um museu do brinquedo.

“Vamos ter aqui, além do brinquedo e de um espaço museológico que atravessa várias épocas, um espaço de interação da criança com o brinquedo, onde aprende a partir do brincar”, explica.

Em todas as salas do antigo palacete há exposição, mas também lugar para brincar, com chão interativo, túneis a descobrir, passagens secretas e até mesmo um castelo.

“Há fantoches em exposição, mas há também uma mala com fantoches para experimentarem e perceberem como é que os que estão guardados se manipulam. Aqui têm oportunidade de brincar com tudo”, realça Natália Abrantes, responsável pedagógica.

O projeto é um braço do grupo de teatro para a infância Arlequim, que existe desde 1978 e foi pioneiro nos espetáculos para a infância, com o TAI, do Porto, o Juventus, de Viseu e o Lanterna Mágica, de Lisboa.

Ana Barros, mentora do projeto e fundadora do Arlequim, explica como foi sendo construído o acervo.

“Estes brinquedos resultam de uma recolha de há muitos anos que comecei. O meu pai era apaixonado por coleções e a minha coleção começou por bonecas. Casei com um colecionador, encontrei amigos colecionadores e o espólio foi assim crescendo e aumentou quando fizemos algumas exposições e as pessoas gostaram tanto que vieram oferecer algumas coisas que tinham em casa”, recorda.

O grupo de teatro foi desafiado a criar o museu pela Câmara, que está a realizar as obras de adaptação e recuperação do edifício, e os seus elementos reencontraram-se no projeto, no qual os fantoches e marionetes ocupam destaque especial.

“O espaço dedicado ao fantoche tem [elementos oriundos] desde Java, da Malásia, do Nepal, os tradicionais robertos portugueses, de Praga, onde as crianças podem manipular, num biombo, as várias técnicas como os fantoches de mão, de luva, de varas ou marionetes de fios”, descreve Natália Abrantes.

Outros espaços são dedicados a brinquedos mais generalistas, que atravessam várias fases e tipologias, do brinquedo feminino e masculino ao início dos audiovisuais, passando pela produção nacional e pelos objetos de jogos tradicionais.

Além das peças e de documentação fotográfica, é feita a contextualização do quotidiano da criança, nomeadamente com a recriação da escola primária do início da República e o quarto vitoriano onde a criança brincava.

One Comment

  1. Manuel Martins says:

    Dr. Ana Barros

    É com alguma tristeza que me sinto na obrigação de comentar que fui impedido de visitar o museu do brincar apenas porque transportava no colo uma cadelinha com 16 anos, cega e surda que não pode ficar em qualquer lugar e muito menos sou a favor do abandono de animais nas férias o que é uma realidade e se verifica na praia da Vagueira. Por favor evitem o flagelo de fomentar o abandono de animais. Garanto que a minha cadelinha NÃO mexia em nada, o que talvez algumas pessoas o façam.

    Obrigado

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