18 anos: Economia

Foto de Gonçalo Manuel Martins

Em 1994 Portugal tentava recuperar de um ano de crise, com a evolução negativa do PIB registada no ano anterior. O desemprego tinha-se acentuado. Um ciclo económico tinha-se esgotado mas, com as fases ascendente e descendente que são próprias de qualquer ciclo, durante cerca de 10 anos tivemos crescimento positivo e, nalguns anos, elevado.

Esse ciclo tinha sido em tudo idêntico ao que se iniciou com a democracia, a seguir a 1974. Também esse tinha tido cerca de uma década.

Ambos tinham melhorado consideravelmente a vida dos portugueses sob múltiplos aspetos ­ pelos rendimentos que a economia gerava e distribuía, pela transformação positiva das condições sociais, pela qualificação das pessoas e do país.

Estávamos no limiar de uma recuperação que, designadamente, alargou o emprego para níveis que ele nunca tinha atingido no nosso país ­

5 milhões de pessoas haveriam de vir a estar incluídas no mercado do trabalho. Portugal tinha-se tornado numa das economia europeias em que mais gente trabalha. O trabalho tinha-se tornado de tal forma decisivo na nossa sociedade que haveríamos de vir a assistir à atração de imigrantes, um fenómeno original no nosso país.

18 anos passados, há uma mudança radical na nossa vida

coletiva: a relação de trabalho deixou de ser um elemento essencial de inclusão social para passar a ser, em muitos casos, uma gerador de desigualdades e exclusão; a crise deixou de poder ser encarada como um momento de passagem entre soluções de crescimento e de integração para se tornar longa, porventura crónica.

Portugal tinha tido soluções políticas várias para se alcançar a melhoria do bem-estar coletivo. Hoje predomina uma lógica de desvalorização interna. Precisamos de reencontrar novas soluções positivas.

 

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