Deficit de confiança

Fernando Serrasqueiro

Se um empresário chegasse à sua fábrica e convocasse os trabalhadores para lhes solicitar que alguns abandonassem a empresa, preferencialmente os mais qualificados, autorizando a transferência para a concorrência e se ao mesmo tempo informasse que pretende transferir a sua sede para o estrangeiro que pensariam os seus colaboradores?

Seguramente que o clima de confiança iria sofrer um forte abalo

No país sucede o mesmo. Convidar os portugueses a emigrar ou ouvir de um dos seus principais empresários dizer que não confia no país é o descredito no nosso futuro.

O governo não entendeu que deve ser um fator de estabilidade e um transmissor de esperança para um povo em forte depressão e com medo de assegurar condições de continuidade.

Ora o apelo repetido para que os portugueses emigrem e a opinião desfavorável dum importante empresário de sucesso são sinais de desânimo e um grito de falta de confiança no país e nos portugueses.

Lembremo-nos que no início desta governação as promessas eleitorais foram rapidamente abandonadas e o que isso significou para a credibilidade dos programas eleitorais. Problema que não é só nosso, visto que em Espanha o governo de direita segue o mesmo caminho.

Faltar à palavra passou a ser regra e assim afastamos os eleitores e damos má imagem dos políticos, dos partidos e suscitamos dúvidas sobre o sistema.

Exige-se rigor com sentido ético, mas também é preciso que quem governe apresente soluções e aponte um caminho a percorrer coletivamente.

O pior que nos poderia acontecer era sermos conduzidos por quem não acredita e assim não pode ser um farol de esperança.

Se alguém grita desemprego o governo responde emigre; se alguém diz que desconfia do país o governo não pode dizer nós também.

Mas a confiança não se cinge só ao ambiente, é necessário que o cumprimento dos objetivos vá acontecendo e isso no que respeita ao deficit previsto para 2012 não está estabilizado. Vamos de correção em correção.

Sem se saber hoje em que ficamos e que esforços ainda temos mais que fazer para além do que já se conhece.

Para que fazemos sacrifícios se a sua distribuição não é justa?

Porque não nos é apresentado um plano estável de medidas escalonadas por forma a não sermos surpreendidos com novos anúncios pelo caminho?

São muitas as dúvidas que nos assolam em clima já nebuloso que amplificam os riscos e provocam a desmotivação dos portugueses.

Aquele que não tem confiança nos outros, não lhes pode ganhar a confiança, disse um sábio chinês.

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