Estaleiros navais do Mondego são viáveis

Rita Rato

Trabalha nos Estaleiros desde os 14 anos e “foi lá que se fez homem”. Fala com orgulho da qualidade do trabalho e de como são bons, talvez mesmo os melhores do mundo na construção, reparação e manutenção naval.

Fala de como conheceu tantos estaleiros por esse mundo fora e de como os do Mondego não ficam atrás de nenhum. Fala dos 15 milhões de euros criados só nos últimos 4 anos e de como só a manutenção dos barcos da travessia do Tejo e o movimento do porto da Figueira” justifica a viabilidade dos Estaleiros.

Os trabalhadores falam dos Estaleiros como se fala de uma parte da vida, de alguns, a vida toda. Falam com orgulho de como construíram barcos para a Alemanha, de como todos os armadores encomendavam lá a sua frota pesqueira, da construção de grande parte da frota da marinha mercante. Falam de como lá cresceram e de como fizeram crescer a riqueza de patrões diferentes. Homens humildes falam com uma clareza arrepiante do processo longo de definhamento dos Estaleiros e da tentativa da sua destruição. Sabem quem são os responsáveis e os carrascos. Falam com revolta de como a Bissaya Barreto vendeu por 1€ os Estaleiros a um espanhol e das leis que não responsabilizam os culpados.

Homens simples nas palavras afirmam com muita clareza que sucessivos governos e presidentes da república têm falado tantas vezes no mar, e só o têm abandonado, nada fazendo para defender aqueles que não podem viver sem ele. Estes homens, serralheiros, electricistas, engenheiros, mecânicos, têm bem presente na memória a destruição de tantas outras empresas e de como isso tem conduzido a Figueira e o país para o abismo. Estes homens sabem que só têm a sua luta. E só a sua luta tem mantido esta empresa viva.

Homens marcados pela dureza da vida e do trabalho emocionam-se ao recordar as palavras do juiz do processo de insolvência. Mas logo desembargam a voz e dizem que têm que continuar a lutar, para impedir uma política criminosa de destruição dos Estaleiros Navais do Mondego e de vidas inteiras, e daquele valioso património colectivo. Sabem o que querem e afirmam com convicção de aço que a viabilidade é possível. Só falta de vontade política pode deixar cair os Estaleiros Navais do Mondego. Da parte dos trabalhadores e da sua luta só a viabilidade é o caminho. Força.

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