Falar claro

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Luís Vilar

Um pouco por toda a Europa mas, naquilo que nos diz respeito, em Portugal, a classe média está a sofrer um ataque brutal nas suas condições de vida, para já não falar nos mais desfavorecidos que estão prestes a entrar em colapso.

Naturalmente, os Portugueses compreendem a situação do País e estão disponíveis para o esforço que a todos é exigido em nome de Portugal.

Mas, há questões que ninguém entende e, à medida que o tempo passa, começamos a verificar que a crise está a ser paga, quase exclusivamente, por essa imensa classe média, de norte a sul do País. Também são exigidos às empresas maiores sacrifícios que, mais tarde ou mais cedo, vão ter reflexos ao nível do emprego, de salários em atraso, e noutras medidas negativas, na área social.

Sendo a recessão económica uma realidade, facilmente se compreenderá que o desemprego vai aumentar e, com ele, o desequilíbrio da segurança social e a diminuição dos apoios sociais que o Estado tem obrigação de propiciar aos desfavorecidos.

No meio de tudo isto e, em jeito de resumo, o aumento de impostos nos rendimentos da classe média atinge quase os 50% e os impostos indirectos agravam, ainda mais, os rendimentos familiares.

Nada disto era considerado escandaloso se, paralelamente, e em vez do aumento constante de impostos, se reduzissem, drasticamente, as verdadeiras “gorduras” do Estado.

Para quando o fim das empresas municipais, geradoras de gastos supérfluos, muito superiores aos provocados pelos Governos Civis?

Para quando o fim de empresas do sector público com administrações que gastam mais de 3 a 5 milhões euros/mês só com os ordenados e senhas de presença das administrações?

Para quando nivelar, de uma vez por todas, os vencimentos no sector empresarial do Estado pelo vencimento do Presidente da República?

O Governo vai aceitando as propostas do líder do PS, sem tomar as iniciativas governamentais que lhe são inerentes. É caso para dizer que o Governo vai gerindo a crise pela via do liberalismo económico, apoiando-se nas propostas do PS, na área social.

Mas, na minha opinião, quando chegarmos ao início de 2012 a crise social vai estalar. E, será uma crise geral, não só dos sindicatos, mas de toda uma classe média que se vê quase sozinha a pagar a crise, sem que as medidas urgentes e necessárias de reforma administrativa do Estado sejam tomadas.

O PSD e o CDS-PP escolheram governar em coligação, criando a maioria na Assembleia da República mas, cada vez mais, se verifica que a Democracia não é o acto de votar de 4 em 4 anos.

Os Portugueses ouviram bem as promessas eleitorais e darão mais uns meses de benefício da dúvida à actual maioria, mas não deixarão de se manifestar, das mais diversas formas, se não verificarem que todos, rigorosamente todos, foram chamados para cumprir a sua quota-parte para ultrapassar a grave situação que Portugal atravessa.

Sou dos que pensam que não se fazem avaliações políticas antes de 6 meses de governação, mas as medidas a implementar para retirar as verdadeiras “gorduras” do Estado já deveriam estar anunciadas.

Neste início de trabalho, para quem ainda pôde gozar as suas férias, aguardemos que, rapidamente, sejam anunciadas as medidas que tantas vezes ouvimos em campanha eleitoral, sob pena de virmos a assistir a um desfile não de uma “geração à rasca”, mas de uma população inteira que já não aceita mais sacrifícios.

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