Polícias ou videovigilância

Editorial: Eduarda Macário

Portugal está a perder uma das bandeiras do seu sucesso, nomeadamente, entre os estrangeiros. E já não bastava estar a sofrer uma séria alteração climática que poderá contribuir para mandar os turistas amantes do sol e praia e das boas temperaturas para outros destinos, começa a dar sinais de se estar a tornar num país inseguro. Os assaltos violentos já não são coisa de que se ouve falar apenas nos outros países. É verdade, que quando o país é pequeno… bastam meia dúzia de situações mais graves para lançar o pânico. E, sem desvalorizar a situação, parece ser o que está a acontecer no Algarve. A morte de um turista de 50 anos dez dias depois de ter sido atacado na rua por um gangue, em Albufeira, deve contribuir para pôr os responsáveis a refletir sobre o que se passa no país e não para acabar com um dos setores que ainda contribui para manter o país a funcionar. E não deve ser suficiente para afastar os turistas e lançar alertas a nível internacional contra Portugal e, em especial, contra o Algarve, como aconteceu com o desaparecimento da pequena Maddy.

Mas isto, somos nós, portugueses, que achamos. O jornal britânico “The Independent” fazia ontem eco das recomendações pelas autoridades aos turistas afirmando que o número de ataques violentos é baixo, mas mesmo assim é necessário ter cuidado. Infelizmente, como já acontece em todo o mundo. Portugal não é exceção. E, afinal, nada que, como referem os comerciantes e os responsáveis pelo turismo, não se resolva com o reforço policial todo o ano e a colocação de câmaras de videovigilância nas zonas comerciais, bares e calçadões das cidades mais frequentadas. E quando está em causa a segurança dos cidadãos, não se deve perder tempo com discussões vazias à volta da privacidade de cada um. Como diz o responsável pela entidade de turismo algarvia, “a privacidade das pessoas é para ser preservada em casa”.

2 Comments

  1. Portugal continua a ser um dos países mais seguros da Europa. Grande consolo o nosso, dirão alguns! As comparações com os outros não costumam aliviar-nos as dores. Mas olhemos de frente para o problema. Temos um sistema policial confuso, leis penais complicadas e difíceis de aplicar. Os exemplos referidos pela Eduarda Macário são válidos, mas reportam-se à responsabilidade de quem?

  2. A propósito dos incidentes do Algarve, o MAI veio esclarecer que: “No Distrito de Faro, e por comparação com 2009, em 2010 registou-se um decréscimo de 1.3% na criminalidade geral e uma diminuição de 0.3% na criminalidade violenta e grave.” – resta saber quem que polícia foi responsável por este decréscimo e isso só seria sindicável se o Relatório Anual de Segurança Interna discriminasse os resultados de cada força e serviço de segurança para que os cidadãos soubessem quem fez o quê. Finalmente, bem gerida e suficientemente controlada, a videovigilância pode constituir-se uma importantíssima ferramenta de apoio à prevenção da criminalidade, mas não deve ser um fim em si mesmo. São precisos polícias que promovam o contacto com a população e estejam junto dela para garantir segurança objectiva e subjectiva. Não cometamos o erro de querer substituir os polícias da rua por câmaras de filmar.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.