OCC: entusiasmo confiança (II)

Maria Emília Cabral

É óbvio que é gratificante observar como o nosso trabalho tem sido reconhecido e apoiado incondicionalmente pela autarquia de Coimbra – pelos Mecenas! -, que vem sendo acolhido pelas pessoas, pela cidade, pelos municípios e entidades a que estamos umbilicalmente unidos (ordens profissionais, associações empresariais, entidades privadas, empresas, autarquias), e temos de concluir que vale a pena!

Em Coimbra, é nossa vontade continuar a desenvolver o trabalho com o nosso maior parceiro que, desde sempre, tem sido a câmara. Com os 175 mil euros desenvolvemos mais de 100 iniciativas ao longo do ano, gerimos uma casa onde temos actividades diárias e realizamos (pelo menos) um concerto por mês na e para a cidade.

Desejável seria que outros apoios tivéssemos para realizar um “Festival” de Música ao longo de todo o ano num espaço privilegiado, que é este do Pavilhão Centro de Portugal (uma Casa cheia de Música), mas também integrados num projecto anual de divulgação de património e turismo da cidade. O valor que a OCC recebe anualmente é semelhante ou até inferior aos que são gastos na organização de muitos festivais. Com o mesmo financiamento criámos o Coro OCC e a Orquestra Juvenil do Centro.

Não podemos conversar com aqueles que nos governam, nem de boa gestão, nem de capacidade de empreender, nem de entrega, nem de inovação e nunca, mas nunca, da capacidade de lutar por projectos que valorizam a nossa actividade cultural ou que promovem os nossos artistas e nunca ainda , com toda a certeza, da capacidade de diálogo e acompanhamento do trabalho que se realiza, e muito menos daquilo que deve ser um político: capacidade e vontade de servir as pessoas e não servir-se delas!

Só serve, quem está disponível para se entregar à construção de um futuro melhor. Só serve quem se encontra nos outros e no trabalho que desenvolve para os outros. Na Região podemos contribuir para ajudar a construir um Portugal mais próspero, desenvolvendo um trabalho regional continuado, e propondo parcerias com outra(s) orquestra(s), por forma a criar ao longo do ano vários concertos na sua vertente sinfónica e aumentar a exigência de quem nos ouve e deseja conhecer mais e mais a música.

Dimensionar a vertente pedagógica e conferir apetência para ouvir e apreciar música erudita, continuarão a ser objectivos deste projecto. Pretendemos dar-lhe continuidade, insistindo, pois não duvidamos que, paulatina, mas certeiramente, se vai tornando irreversível a conquista de novos públicos. Critérios de qualidade, de consistência, de gestão das actividades e capacidade de obtenção de outras fontes de financiamento, continuarão a ser nossa preocupação.

Procuraremos garantir uma maior igualdade de acesso às criações e produções artísticas, por forma a atenuar as assimetrias regionais e atenuar os desequilíbrios sociais e culturais, promovendo uma partilha solidária de responsabilidade entre os agentes culturais e o Estado, as autarquias, instituições de ensino e outras, criando condições que permitam o acesso das pessoas a novas oportunidades de fruição cultural, e ao pluralismo da criação artística.

Não desistiremos, em nome da música, em prol da cultura, em nome de um mundo mais harmonioso e equitativo.

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