Combater a exclusão territorial

Álvaro Amaro

Ao ler os artigos de opinião no “Diário As Beiras” do passado fim de semana, fiquei particularmente satisfeito. Três desses quatro artigos abordavam os temas da interioridade e da coesão territorial, naturalmente interligados. Não sei se o magnífico discurso do Presidente da República nas Comemorações do 10 de Junho em Castelo Branco influenciaram os meus colegas de escrita neste jornal.

Como quer que seja, aqui fica o registo de elogio a essa preocupação, porque na verdade eu próprio já o fiz em várias ocasiões e não deixarei de o fazer em tantas outras, sempre com o objectivo de contribuir para que o País leve a sério tamanho desígnio.

É importante que se possam fazer ouvir cada vez mais vozes a falar desses temas e assim, de uma vez por todas, consigamos sensibilizar os decisores nacionais. Tenho repetidas vezes afirmado, e aqui o faço de novo, que a questão da interioridade só pode ter uma verdadeira solução se for assumida como questão de ordem nacional. Enquanto tal não acontecer, podem os autarcas e outros agentes da sociedade reclamar medidas de discriminação positiva, que dificilmente serão ouvidos.

Estamos, de facto, perante um problema do País que naturalmente reclama e exige uma verdadeira cooperação activa.

Daqui por algumas semanas serão conhecidos os dados preliminares dos Censos – 2011. Não é difícil prever que iremos assistir às mais variadas análises sobre causas da diminuição drástica da população em muitos Concelhos e Distritos da Região Centro. Vamos todos certamente discutir tudo isso, como aconteceu nas três últimas décadas. Não há dúvida de que este será um momento vital para não ficarmos apenas pela eventual razão das causas. É necessário, diria mesmo, imperioso, que para além de mais e mais diagnósticos se defina um quadro de políticas públicas mais activas e, por isso, corajosas, de modo a inverter a trajectória (como agora se diz!).

Se assim não for, cá estaremos para mais uma década de esvaziamento, de êxodo rural e consequentemente com manifesta falta de coesão territorial.

Esta é, quer se queira, quer não, uma “nova disciplina” de abordagem prática do justo equilíbrio do País.

Na verdade, há muito que se definem e aplicam medidas e programas concretos de combate à exclusão social. E, neste domínio, nunca é demais realçar o papel de instituições que têm contribuído decisivamente para o sucesso desse tipo de políticas sociais.

Pois bem!

Também aqui tenho reafirmado que, sendo o combate à exclusão social uma prioridade, não se pode dissociar tal opção do combate à exclusão territorial. Caso contrário, e no limite das situações, poderíamos acabar com aquele flagelo, mas tínhamos também “acabado” com muitos territórios do nosso País.

E isso seria uma brutal injustiça.

Se agora atravessamos um momento de profunda crise, tal não pode, nem deve, justificar maior alheamento destas questões. Não. Nada disso.

Urge erguer a esperança como forte bandeira para que alguma vez o País olhe de maneira seriamente preocupada para o seu território.

Acredito que as eleições de 5 de Junho e o Governo que agora tomou posse nos trouxeram essa esperança.

Não podemos desperdiçar a próxima década.

 

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