Castelo de Montemor em livro

Mário Nunes

Os castelos são estruturas fortificadas que desempenharam uma importante missão na nossa história e na história de muitos povos, tendo contribuído, decisivamente, para a afirmação e consolidação de independências políticas como baluartes de defesa, de manutenção da integridade territorial e de segurança das populações.

As múltiplas funções que desempenharam no decorrer da sua activa existência, conferem-lhes valiosos atributos de nobreza e de soberania, associados à tipologia da sua construção, ao local de edificação e como residência oficial ou temporária de monarcas e de senhores feudais. Acresce, também, serem lugares de refúgio populacional, símbolos de poder e de cultura, espaços de reunião popular, de negócio e de divertimento, memórias de feitos gloriosos, de actos de heroísmo e de bravura, sustentáculos de lendas e de fantasmas, sítios de amores proibidos ou negociados, centros de diplomacia e mesmo santuários religiosos que despertam admiração, veneração e respeito.

O castelo de Montemor-o-Velho é um destes marcos identificadores do nosso Portugal, prenhe de curiosidades e ambiências, portador de momentos grandiosos da nossa Pátria e da nossa civilização, evidenciando no seu todo uma arquitectura de beleza ostentada nas suas muralhas e ameias, respirando a altivez e o esplendor da grandeza medieval. Associa, ainda, o pendor do cristianismo, as marcas da paz e da guerra, o registo de lendas, o sinal da identidade concelhia e nacional, o abrigo das gentes e o suporte de virtualidades que o tornam maior entre os grandes de Portugal. Um açafate de riquezas intemporais que evocam a sua ancestralidade e recordam o seu valor e prestígio como monumento nacional de incontestado orgulho para os montemorenses e de autêntica solidez como praça medieval. Revestido de todas estas cambiantes distingue-se na paisagem que o rodeia e que domina, e oferece inolvidáveis momentos da sua vivência secular, presentes nas memórias que incarnam nas suas pedras patinadas pelo tempo.

Faltava, porém, descobri-lo, em pleno, para os cidadãos o conhecerem. Apesar de ter servido de tema a escritores e poetas, a artistas e historiadores, a militares e religiosos, a músicos e contadores de histórias, jamais usufruiu do trabalho mais amplo que moldasse, em profundidade e em pormenor, o seu passado, que o apresentasse na grandeza dos seus inúmeros valores e afinidades.

Mas, esse dia chegou. O investigador/historiador, Dr. António Correia Góis, montemorense, apaixonado pelo castelo desde os cinco anos, deslumbrava-se, como hoje, com a invulgar beleza daquela fortaleza medieval. E, decidiu “conquistá-lo” pela escrita. Somou pesquisas em arquivos, consultou estudos de autores de várias épocas, sacudiu o pó de carcomidos documentos, usou a lupa para decifrar o que os olhos não liam, achou o perímetro das muralhas e calculou a espessura das paredes, deu relevo aos matacães e à porta da traição, entrou nas igrejas e descreveu os estilos e quem as executou, reuniu as lendas exemplo a do Abade João, interpretou os dados recolhidos, redigiu as ideias e produziu a obra: “O Castelo de Montemor-o-Velho, “As pedras da memória”. O Doutor Fernando Ramos prefaciou e na análise crítica acentuou: “tem tudo para esgotar a primeira edição no dia da apresentação”. E, acertou. O livro é mais um trabalho histórico de Correia Góis, acarinhado pelo presidente da Câmara, dr. Luís Leal.

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