Câmara de Leiria quer vender estádio em hasta pública por 63 milhões

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A câmara de Leiria aprovou hoje, por maioria, a proposta para levar o estádio municipal, um dos palcos do Euro 2004, a hasta pública pelo valor de 63 milhões de euros.

A deliberação, que necessita de autorização da Assembleia Municipal, foi tomada na reunião do executivo municipal, cujo acesso foi vedado aos jornalistas. No final da reunião, o presidente da câmara, Raul Castro, afirmou estar convicto de que, “em termos de gestão”, a autarquia, está “a fazer o melhor para os interesses dos munícipes de Leiria”, considerando que o estádio “não pode continuar como está”.

“Se a autarquia tivesse recursos, já teria resolvido o problema do topo norte [área inacabada do estádio]”, explicou o autarca, independente eleito pelo PS, justificando a alienação com os encargos que o estádio acarreta e com a situação financeira do município.

O autarca adiantou que o município está a “ponderar as consequências da alienação parcial” da infraestrutura, incluindo a “regularização fiscal”, atendendo a que a empresa que gere o estádio – a Leirisport, que tem como acionista único a câmara – tem uma dívida de quatro milhões de euros às Finanças.

A eventual devolução de fundos comunitários – dado que a requalificação do estádio para o Campeonato Europeu de Futebol de 2004 teve contribuição da União Europeia – está também em avaliação.

O município pretende alienar três de quatro frações do estádio, mantendo para si um espaço de 2000 metros quadrados no topo norte para reinstalar o centro associativo.

As outras frações são o remanescente do topo norte, o estacionamento, de 450 lugares, (estes dois espaços avaliados em 24 milhões de euros), e o campo de futebol e respetivas bancadas.

Raul Castro confirmou que tem estado a conversar com entidades, que se escusou a revelar o nome, “no sentido de sensibilizar para este interesse”, referindo que, neste momento, todos os usos estão em aberto para o topo norte, desde os serviços, o comércio ou a hotelaria.

“Isto [a hasta pública] pode ficar deserto, eu quero é ficar de consciência tranquila que enquanto gestor de dinheiros públicos, da autarquia, vou estudar todas as hipóteses possíveis de minimizar as dificuldades financeiras [do município]”, acrescentou.

Questionado se a câmara tem dinheiro para pagar aos funcionários, o autarca declarou: “Temos neste momento dinheiro para pagar os salários, para os compromissos bancários e para as transferências das juntas de freguesias”.

Reconheceu, contudo, ser “evidente” que a câmara necessita “destas soluções de engenharia financeira” para não correr riscos, adiantando: “Estamos muito dependentes das receitas que vierem a entrar em relação às outras áreas”.

Toda a oposição no executivo votou contra a alienação parcial do estádio.

Blandina Oliveira, independente, admitiu “dúvidas” quanto à possibilidade de a estrutura ser alienada, enquanto os vereadores do PSD alegaram desconhecer “o que consubstancia” esta proposta, assim como a inexistência de “um programa que defina os usos” do espaço e a “avaliação que suporte os valores apresentados”.

 

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