Peças de velhos computadores ganham vida como bijutaria

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As peças de computadores que já não funcionam ganham vida como bijutaria numa loja de informática de Alcains, em Castelo Branco.

Nuno Gamanho começou há três semanas a construir peças desenhadas pela mulher, Marta Sousa.

Pratos magnéticos que guardavam informação num disco rígido, chips de processamento ou placas de circuitos integrados passam a ser brincos, anéis, colares e peças de decoração para o lar.

A mentora das peças assegura que não há planeamento nem inspiração especial, tudo acontece “à medida que vão surgindo componentes e que vão sendo conjugados até se definir uma peça”.

Marta Sousa tenta “conciliar da melhor forma os componentes, de maneira a que seja uma peça agradável e equilibrada”.

Um método que tem como vantagem dar origem “a peças únicas: não há duas iguais, quando muito podemos fazer algumas parecidas, de acordo com os pedidos”.

Mas mesmo dentro de um antigo disco rígido, por exemplo, “chegamos a encontrar o mesmo componente em diferentes formatos”, destaca Nuno Gamanho, para concluir que a “exclusividade” é um dos atrativos da Biju PC, nome dado à nova vertente do negócio informático.

Marta desenha e Nuno executa, à noite, em casa, nas horas vagas, com uma limpeza e tratamento prévio das arestas dos componentes eletrónicos.

Hoje, a Biju PC já ocupa dois mostruários na parede principal da Gamanho Multimédia, no centro comercial de Alcains, com quase três dezenas de peças expostas.

Há anéis feitos com a bobine dourada de um motor de um disco rígido, há um castiçal a partir da base de um leitor de disquetes e antigos chips gráficos S3 transformados em brincos.

Para já, a loja não tem solução para reciclar todo o material recebido de clientes, pelo que a ideia surgiu “como forma de utilizar esse lixo informático e criar algo de novo”.

É certo que a loja já recebeu um pedido para criação de um par de brincos para homem, mas “90 por cento da bijutaria é dirigida para as mulheres”, diz Nuno Gamanho.

Os porta-chaves custam cinco euros, os brincos vão dos cinco aos dez euros por par e os colares custam entre cinco e 15 euros.

As peças de decoração, que incluem relógios de parede e de secretária, podem custar até 50 euros.

No início, quem olhava julgava tratar-se de bijutaria normal, “mas basta um olhar mais atento para perceber que isto não é nada normal”, descreve Marta Sousa.

E hoje começa a não faltar quem saia da loja com um computador debaixo do braço e uns brincos ou um anel para oferecer à cara-metade.

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