Mário Soares

José Junqueiro

A Oposição, liderada pelo PSD de Passos Coelho, chumbou o PEC IV. Não tinha existido necessidade desta votação na Assembleia da República. Tudo teria ficado resolvido e a responsabilização do Governo seria máxima. E o país não conheceria estas dificuldades acrescidas.

O PSD não quis que fosse assim. Para não haver dúvidas, apresentou uma resolução que obrigou à votação. O PEC IV foi chumbado e o Governo caiu. A seguir foi o caos. Os “rating” da República, das empresas e da banca caíram estrondosamente.

Veio a “ajuda externa” desejada e planeada pelo PSD ao pormenor. O CDS, mais inteligente, tentou resguardar-se num recatado silêncio, deixando para Passos Coelho a factura mais expressiva.

Volvidas algumas semanas, PSD e CDS, assinaram com o Governo o “PEC V”, igual ao “PEC IV”, mas com medidas mais profundas e gravosas para os portugueses e para Portugal.

Então, para quê tudo isto? Não há resposta a não ser a do “aroma do oportunismo político” e a ausência de sentido de responsabilidade.

O Primeiro Ministro, neste contexto desfavorável, liderou a negociação com a “TROIKA” com base no PEC IV, tal como anunciara no Congresso, e o acordo foi assinado pelos três partidos.

Tudo isto vem a propósito de uma figura incontornável: Mário Soares. Não sendo Presidente da República juntou a sua voz à de Jorge Sampaio e até, surpreendentemente ou não, à de Ramalho Eanes. O objectivo era só um: moderação e concertação.

Mas Mário Soares fez mais. Falou com todas as partes e foi mesmo recebido, a seu pedido, por Passos Coelho. A sua experiência, a de um autêntico veterano, impunha-lhe acção, inconformismo e persistência.

Infelizmente o radicalismo do PSD de Passos Coelho, a que agora se soma o de Paulo Portas, arrasou todos estes esforços. A “esquerda inútil”, a muleta da direita batia palmas. Quanto mais insucesso melhor. É o que pensam, ao mesmo tempo que enchem a boca com a defesa dos trabalhadores.

No meio de tudo isto há, pelo menos, uma consolação. Entre discursos incendiários e ausências comprometedoras, Portugal teve, novamente, um “Presidente”, que exerceu uma “magistratura activa”: Mário Soares.

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