Escola Agrária de Castelo Branco cria formação para incentivar regresso às hortas

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Em tempo de crise, a Escola Superior Agrária de Castelo Branco defende “uma aposta no sector primário” e quer ensinar qualquer pessoa a criar a sua horta, como revela Celestino Almeida, presidente da instituição.

São ensinamentos que, “antigamente, circulavam em família: o pai ensinava o filho a tratar da horta, mas isso perdeu-se”, destaca.

Para tentar contrariar esta situação, a Escola Agrária vai oferecer “formações modulares, curtas, para que todos quantos tenham acesso a terra possam cultivá-la para auto-consumo, sem necessidade de terem um curso superior”.

Alguma formação específica sobre determinados aspetos da atividade agrícola, como a poda de árvores de fruto, já foi ministrada no último ano, mas a aposta é para intensificar.

Serão feitas “de forma cadenciada, conforme a procura”, e a feira e exposição agrícola que começa hoje e se prolonga até domingo, no recinto da escola, “serve para criar esse gosto pelas atividades ligadas à terra”.

A primeira edição da Agro-Agrária – Feira de Agricultura e das Atividades Agrícolas, aproveita a boleia das festividades da Senhora de Mércoles, que decorre no recinto adjacente à escola e que culmina no feriado municipal de Castelo Branco, na terça-feira.

Em exposição vão estar também alguns produtos produzidos pela escola, como o azeite.

Celestino Almeida acredita que, fruto da crise, “os mercados locais de proximidade vão ser reativados, assim como a produção familiar” para auto-consumo.

Afinal, produzir o que se come “é uma tradição nas famílias portuguesas. Nas últimas décadas perdeu-se, mas há todos os motivos para a recuperar”, seja do ponto de vista económico, ambiental ou de gestão do território.

O presidente da Escola Superior Agrária de Castelo Branco acredita ainda que, com a crise, “há um novo olhar crítico sobre as importações. Há cada vez maior necessidade de Portugal produzir mais e melhor”.

Para aquele responsável, houve “políticas mal aplicadas ou mal entendidas que conduziram a algum abandono [do setor agrícola]” e há “uma imagem dura da agricultura que não corresponde à realidade”.

A Escola Superior Agrária vai tentar reabrir o curso superior de Agronomia, em que já só tem alunos no segundo e terceiro anos curriculares.

No último ano não abriram vagas e este ano também não haverá.

A estratégia passa por “abrir cursos de Especialização Tecnológica (CET) de um ano a partir dos quais esperamos encontrar um leque de 10 a 15 alunos para, daqui a dois anos, reabrir o curso de Agronomia”, explica.

Para o próximo ano estão previstos três novos mestrados na área da engenharia zootécnica, engenharia agrícola e gestão dos recursos hídricos.

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