José Couto, Presidente do Conselho Empresarial do Centro
Num momento em que se prevê que, fruto da crise, o investimento vá sofrer uma queda abrupta, não queria deixar de destacar uma área onde a aposta além de retorno rápido, não contribuirá para o aumento do deficit externo – a regeneração urbana.
Este tipo de investimento cria emprego – outro bem escasso – gera negócios, anima as economias locais, envolve comércio e indústria, fomenta os consumos intermédios e ajuda a fixar quadros.
Mais, a aposta na regeneração urbana não só dará uma resposta positiva ao mercado da construção e imobiliário, como servirá para requalificar as cidades e os seus centros, fomentando o seu repovoamento e, por isso, atractividade.
As cidades são hoje peças centrais no desenvolvimento dos territórios, assumindo, também no plano económico, um contributo marcante na sua competitividade. No entanto, nas últimas décadas, tratámos mal das nossas cidades, permitindo uma utilização especializada das suas diferentes zonas e uma massificação de novas construções nos seus arredores que sugaram dos centros a actividade, a vida social, deixando o património edificado envelhecer, incentivando pessoas, comércio e serviços a saírem para fora dos centros.
O desafio que as nossas cidades hoje enfrentam, mais, a responsabilidade que cabe aos decisores políticos, é a de promover uma política de defesa de opções estratégicas de planeamento urbano que revitalizem, valorizem e organizem as cidades para que se tornem mais atractivas, não só para quem nelas vive e/ou trabalha, mas também como potenciais centros de interesse económico e turístico, aumentando a sua atractividade.
A hora é por isso de trazer de volta os serviços, o comércio, a habitação, em suma, as pessoas, para os centros das cidades. Espera-se que os municípios invistam neste processo, que assumam as responsabilidades e que simplifiquem o acesso a investidores. Que tornem viável a regeneração. Que assumam este desígnio.
Espantosamente ainda esta semana vimos na região Centro um mau exemplo. A história não perdoará os que, com o conhecimento que hoje temos, continuarem a promover a desqualificação dos centros das cidades continuando a aprovar nova construção que, criando novas centralidades, despovoará os centros…
