Falha em gravações adia leitura de sentença de acusado de esfaqueamento

A leitura da sentença do caso do fotógrafo de Viseu acusado de ter esfaqueado um aluno nas imediações da Escola Secundária Emídio Navarro, em 2009, foi hoje adiada devido a uma falha na gravação de depoimentos de testemunhas.

Para a tarde de hoje estava prevista a leitura da sentença, que teve de ser adiada “porque o tribunal detetou problemas com as gravações”, justificou a juíza.

A falha nas gravações obrigou a que durante a tarde de hoje voltassem a ser ouvidas duas testemunhas abonatórias.

O caso remonta a janeiro de 2009, estando o fotografo Carlos Cunha acusado de um crime de tentativa de homicídio e de outro de detenção de arma proibida, por alegadamente ter esfaqueado, nas costas, um aluno com uma navalha tipo borboleta.

A antiga vizinha, Maria Fernanda Couto, voltou a atestar que conhece o arguido desde pequeno, garantindo que nunca arranjou problemas.

“Tenho-o como boa pessoa, que não era capaz de fazer isso”, sustentou.

Também a outra testemunha, Belmiro Ferreira, voltou a considerar o fotógrafo um homem “respeitador”, que “nunca teve problemas”.

Na última sessão de julgamento, o fotógrafo contou que em janeiro de 2009 se deslocou à escola para combinar com a associação de estudantes fazer as fotografias do baile de finalistas e que, durante a reunião, aproveitou para lamentar que a sua esposa, professora naquele estabelecimento de ensino, andasse a ser incomodada por alunos de uma turma.

Segundo o arguido, foi quando já ia a sair da escola, na companhia de elementos da associação de estudantes, que estes lhe apontaram Fábio Melo como sendo um dos jovens da turma em questão.

“Disse-lhe que tinha uma coisa para lhe mostrar e pedi para me acompanhar ao carro, que estava ao pé do café Teatro”, contou, acrescentando que era sua intenção confrontá-lo com os estragos na viatura.

Acrescentou que foi perante a resposta do jovem de que não tinha sido ele nem os colegas a fazerem os estragos e que “nem sequer eram riscos de faca”, que decidiu tirar a navalha tipo borboleta que trazia no carro para fazer com ela um risco e compará-lo aos já existentes.

“Ele começou a gozar comigo, estava um (agente da) PSP em cima e eu disse-lhe que o levava lá. E ele atirou-se a mim”, relatou, acrescentando que depois de alguns murros e pontapés Fábio Melo se afastou e que quando já estava a apanhar os documentos e o telemóvel que tinham caído é que uma rapariga o foi informar de que o jovem “estava aflito e precisava de ajuda”.

Carlos Cunha garantiu que tentou arranjar socorro para o jovem junto de agentes da PSP e da escola e que só soube da perfuração nas costas quando já estava nas instalações daquela polícia.

A leitura do acórdão ficou adiada para a manhã do dia 28 de abril.

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