Sócrates sai e lamenta irresponsabilidade da oposição

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Fim anunciado. O “chumbo” do PEC 4 e a demissão de José Sócrates foram a mais requentada das notícias do dia. Aliás, a única novidade, ontem, foi mesmo a ausência de Sócrates, na maior parte do debate, no Parlamento, e a decisão de Cavaco de anunciar, no site da Presidência da República, o pedido de demissão, antecipando-se à comunicação oficial do chefe do Governo… mas sem dizer se aceita ou não.

Facto é que, sem austeridade acrescida e com primeiro-ministro demissionário, o país é hoje o centro das atenções da Europa. Hoje que, como se sabe, é o dia de um Conselho Europeu absolutamente decisivo para a estabilização da zona euro.

Sócrates sai a culpar as oposições e, em especial, o PSD. Na sua declaração, à saída de Belém, lembrou o esforço desenvolvido para evitar uma crise política, mas lamentou ter sido “o único” a apelar ao sentido de responsabilidade.

Diferente foi a intervenção de Passos Coelho, que falou na necessidade de “pôr fim ao clima irrespirável” de uma “situação pantanosa”. Por isso, foi claro ao reclamar eleições antecipadas, que conduzam a um novo Governo capaz de aplicar “uma estratégia verdadeiramente nacional”, com o apoio dos sociais-democratas e de quem se queira juntar a eles.

Coligação inevitável

Um governo de coligação é, aliás, a solução mais plausível para o professor de ciência política do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Adelino Maltez,, em caso de eleições antecipadas.

À Lusa, o politólogo afirmou que se encerrou “o ciclo de governar com minorias”. “O Presidente da República deverá tentar puxar para a concertação política” entre os partidos do “arco constitucional, europeus, em que estes aceitem os objetivos negociados com Bruxelas, não necessariamente os métodos”, referiu.

Num plano diferente, outro politólogo, António Costa Pinto, destacou a intenção anunciada pelo primeiro-ministro demissionário de “resistir eleitoralmente” em caso de legislativas antecipadas, prevendo que irá jogar com um discurso de “responsabilidade” a par da “ameaça da direita”.

Regressa o “animal feroz”

José Sócrates é, aliás, uma referência incontornável da noite da sua demissão. Não apenas pelo que fez e faz, mas pela declaração solene de que o país não fica sem Governo e, ainda, pela decisão cada vez mais asfixiadora, dentro do PS, de se fazer reeleger como secretário-geral, dentro de dias, com maioria esmagadora, para, depois, se apresentar a votos, de novo, com a pele do “animal feroz”.

Talvez por isso, o nome do primeiro-ministro demissionário, tenha sido o item mais procurado no motor de buscas Google, ontem à noite, e Portugal era um dos dez termos com mais buscas.

O que se diz lá fora

Também a imprensa internacional colocou Sócrates na primeira linha da atualidade, ao noticiar a rejeição do denominado PEC4, dando logo como inevitável a demissão do primeiro-ministro. “O país à beira de resgate financeiro”, dizia o principal jornal económico espanhol, o Expansion.

O britânico The Telegraph coloca a questão do lado dos custos para a Grã-Bretanha, dizendo que “Portugal seguiu a Irlanda na crise da dívida”. Por seu turno o Finantial Times na edição online em alemão titula “Portugal agrava crise do euro”, dizendo que é agora maior a probabilidade de o país recorrer ao fundo europeu.

2 Comments

  1. Na minha opinião Sócrates já tinha planeado demitir-se, daí não comunicar nada ao Presidente da República….

  2. eu só digo: irresponsabilidade da oposição em nao querer negociar as medidas do pec4!

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