Guarda – Cidade Saúde

Da Guarda, diz-se que é difícil gostar-se! Mas a cidade no mistério da sua montanha, no infinito dos seus horizontes, na resiliência das suas gentes tem um “carácter”, que fizeram dela uma cidade singular.

A fundação da Guarda resultou da necessidade do planeamento de uma vasta faixa de território, junto à fronteira, obedecendo à ideia de centrar o espaço português num pólo aglutinador entre o Douro e o Tejo. Ainda hoje o território diocesano, incorpora áreas nos limites do Portugal do Norte, e do Portugal do Sul.

No século XIX a Sociedade de Geografia numa expedição científica à Serra da Estrela, e que integrava figuras das mais eminentes dos vários ramos da ciência, concluíram entre outros aspectos, que a Guarda com o seu clima de montanha, tinha condições excepcionais para a instalação de um sanatório pulmonar.

O seu ar seco e frio, fortemente ionizado, com baixas pressões atmosféricas, e com elevado grau de luminosidade, eram factores naturais determinantes para a cura da tuberculose pulmonar, responsável por grande número de óbitos nos séculos XIX e XX.

Paladino da instalação na Guarda do primeiro sanatório pulmonar, foi o célebre tisiologista Sousa Martins, acompanhado por personalidades locais e nacionais como sejam Lopo de Carvalho, António Lencastre e outros.

Com o apoio dos poderes institucionais da época, e da Assistência Nacional aos Tuberculosos (ANT) inaugurou-se na Guarda em Maio de 1907, o primeiro sanatório pulmonar do País, destinado a todas as classes sociais.

Pela cidade passaram centenas e centenas de doentes e seus familiares, que projectaram a Guarda a nível nacional e internacional, conhecida como a Cidade Saúde.

O sanatório, o hospital e diversas clínicas polarizaram um desenvolvimento económico, social e cultural, cujas marcas ainda hoje perduram na cidade.

O espaço físico ocupado por aquela “cidade dentro da própria cidade” ainda hoje existe, vulgarmente conhecido como Parque da Saúde, e é ocupado por diversos serviços daquela área como a Unidade Local de Saúde, o Centro de Saúde, a Escola Superior de Saúde e outras entidades como a CERCIG, a Fundação Augusto Gil uma IPSS.

Durante anos e anos houve promessas por parte do poder, da construção de um novo hospital ou um hospital novo, com estudos e mais estudos dos Grupos de Missão, enfim tudo gorado e protelado para as calendas gregas.

Chegamos a crer que as promessas, fossem apenas para “matar tempo” caminhando para um inexorável fecho com consequências nefastas.

Havia que ter coragem política para o poder político dar às gentes da Guarda, um Hospital Novo que fizesse jus ao passado em matéria de saúde.

No dia 5 deste mês, o primeiro-ministro de Portugal José Sócrates, acompanhado pela ministra da Saúde, vieram à Guarda, para testemunharem aos Guardenses que o Hospital Novo é já uma realidade, e visitaram as obras em adiantado grau de execução, e na cidade mais alta de Portugal, José Sócrates deixou bem claro que o Serviço Nacional de Saúde é um direito constitucional dos portugueses, a preservar e a defender, pese embora a grave crise que o país atravessa.

Assim hoje acreditamos que aquilo que durante anos e anos parecia uma quimera, hoje é uma realidade, e o direito a cuidados de saúde de proximidade, é um factor de mais-valia para a Guarda e as suas gentes.

Também a recuperação de todo um Património construído, no tempo do ex-sanatório, os chamados “Pavilhões Velhos” vai ser possível, transformando-os em centros de investigação e monitorização da qualidade do ar e para o estudo da “questão do bio-climatismo”. Não seria também altura para aí se instalar um “Museu da Saúde”?

 

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