FENPROF vai apresentar balanço negativo da criação dos mega agrupamentos

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A FENPROF vai divulgar em abril um estudo sobre a reorganização da rede escolar posta em prática pelo Governo, cujas conclusões revelam que os mega agrupamento de escolas não se conseguem organizar no sentido do sucesso educativo.

“A confusão é mais do que muita”, declarou Anabela Sotaia, dirigente da federação e coordenadora adjunta do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), que hoje se reuniu com a responsável da Direcção Regional da Educação do Centro (DREC).

Segundo a dirigente, e reportando-se à região Centro, e aos mega agrupamentos já criados, “é muito difícil organizarem-se naquelas condições, a nível de professores, da gestão das escolas”.

“Há muitas dificuldades em juntar os professores para planificarem estratégias, nos departamentos, porque duplicaram ou triplicaram. São assembleias de professores em que é impossível discutir com alguma seriedade e credibilidade as condições e as estratégias para a aprendizagem dos alunos”, frisou.

Segundo Anabela Sotaia, “como é impossível discutir as coisas nas bases as diretivas vêm a nível central, da direção, do órgão pedagógico, que tudo decide, e depois informa apenas os professores”.

“Não é assim que devia funcionar uma escola. Estas medidas não contribuem em nada para o sucesso educativo e para a qualidade que nós queremos para as nossas escolas. Tudo faremos para combater este modelo de gestão e vamos, com os nossos contributos, tentar reverter a situação, para que daqui a uns temos possa haver um novo modelo”, acrescentou.

Sobre a reunião de hoje com a diretora da DREC, Anabela Sotaia disse que lhes foi prestada “muita pouca informação”, pois pretendiam saber se iam encerrar mais escolas com menos de 21 alunos e se continua o processo de criação de mega agrupamentos.

Quanto ao encerramento das escolas, foi-lhes dito que o assunto está a ser tratado entre a DREC e as autarquias, e que o processo de criação dos mega agrupamentos na Região Centro avançará e estará concluído dentro de dois anos.

Mas, até finais de maio estarão definidos de modo a ficarem instalados os órgãos antes de se iniciar o novo ano letivo, acrescentou a coordenadora do SPRC.

“Não há boas soluções pela constituição destas enormes unidades. Isto vem ao arrepio do que estamos a ver acontecer noutros países”, declarou João Louceiro, igualmente dirigente do SPRC, acrescentando que o sindicato tentará “levar aos professores a consciência do que está a acontecer”

A diretora da DREC, Helena Libório, confirmou à agência Lusa que a reorganização da rede escolar para o próximo ano letivo, incluindo a criação dos mega agrupamentos, foi assunto abordado na reunião, mas escusou-se a aprofundar a questão.

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