Crescente aumento da pobreza

Editorial: Dora Loureiro

A AMI Assistência Médica Internacional confirmou ontem aquilo que já se suspeitava: a avaliar pela sua experiência, 2010 foi o pior ano em termos de pobreza em Portugal, nos registos da fundação, com os pedidos de apoio a aumentarem 24 por cento em comparação com 2009.

Aos nove centros da AMI recorreram, em 2010, mais de 12.300 pessoas, um valor sem precedentes e para o qual tem contribuído a precária situação económica do país.

As bolas de pobreza acabam por se concentrar nas grandes cidades e as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto são as zonas mais afetadas pela pobreza e a exclusão social. Cerca de 45 por cento das pessoas apoiadas pela AMI residem na Grande Lisboa e 40 por cento no Grande Porto. E o flagelo da pobreza não escolhe idades: a maioria dos cidadãos que recorreram aos centros sociais da AMI está em idade ativa, muitos são jovens com menos de 16 anos e os que têm mais de 65 anos são uma minoria. Neste caso, a pobreza atinge sobretudo mulheres desempregadas, residentes nas duas grandes cidades. A acompanhar o aumento da pobreza nos dois grandes centros urbanos está o crescimento de pessoas sem-abrigo e, entre eles, o aumento do número de mulheres.

Um quadro de pobreza capaz de responsabilizar e obrigar a uma ainda maior ponderação sobre as políticas sociais do Estado, perante os crescentes números do desemprego. Em Portugal, as classes mais débeis mal têm resistido à crise económica e ao desemprego. A opção por linhas de orientação e políticas mais liberais poderá condenar, de vez, as franjas populacionais mais desprotegidas. Que, pelo contrário, necessitam de um definitivo apoio, que permita a inserção no mercado de trabalho e uma inversão deste quadro, que envergonha um país.

2 Comments

  1. Estes são dados devem ser encarados como preocupantes, mas mais preocupante é o que estes dados escondem. Efectivamente há uma realidade no mundo rural,ou longe dos grandes nucleos urbanos que é igualmente preocupante, só que como a AMI não tem centros nas aldeias não pode dar estatisticas da pobreza que nelas ocorre.
    Mais uma vez os residentes nos centros populacionais têm um apoio que os restantes não dispõem – além destes ultimos ainda serem esquecidos nas estatisticas.

  2. José Luís Roquete says:

    2010 foi o Ano Internacional da Luta contra a Pobreza. Pelos dadas da AMI a situação da pobreza piorou. No âmbito do Ano… foi criado a Estratégia Nacional Para a Integração dos Sem Abrigo dotada de 75milhões de Euros. A Seg.Social e a Autarquia de Cascais ( e talvez noutros concelhos!!!) criaram uma Comissão para tratar da situação no concelho. Era bom que os munícipes conhecessem o que tem sido feito, quer em Cascais, quer na Grnde Lisboa.

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