Autarcas da Serra da Estrela preocupados com redução de meios de combate a incêndios

 

Foto de Paulo Leitão

Os presidentes das câmaras municipais de Seia e de Gouveia mostraram-se preocupados com a redução de meios aéreos para combate aos incêndios florestais naquela região, onde se localiza o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).

O presidente da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC), Arnaldo Cruz, admitiu no domingo (27) que serão feitos cortes no orçamento para meios de combate a fogos na ordem dos 20 por cento, sendo que os serão os que sofrem maior redução.

A preocupação sentida “não é exclusiva em termos do território que nos está confinado mas é em termos do todo nacional, porque sabemos da importância dos meios aéreos no combate aos fogos”, disse à agência Lusa Carlos Filipe Camelo, autarca de Seia (PS)

Referiu que um corte nos meios aéreos significará que a disponibilidade de ataque “no período inicial” dos incêndios ficará “penalizada”.

Segundo o autarca, a Serra da Estrela necessita de meios aéreos para combater os fogos porque, devido à sua orografia, “existem zonas inacessíveis a veículos e a pessoas”.

“Nesse combate são importantes os meios aéreos, não tanto os meios pesados, mas helicópteros, porque sabemos que o helicóptero é uma forma de combate muito eficaz, porque vai aos sítios onde os outros meios não penetram e colocam homens na fase inicial da intervenção”, sustentou.

Carlos Filipe Camelo reconhece que em época de crise “terá que haver sacrifícios de todos”, defendendo que, no futuro, toda a ação de prevenção e de preparação do dispositivo em terra, seja efetuada nos nove meses do ano fora do período do verão.

O autarca também defende “uma maior atitude em torno da prevenção” dos incêndios florestais.

Já o presidente da Câmara Municipal de Gouveia, Álvaro Amaro (PSD), disse esperar que a redução nas verbas para o combate aos incêndios florestais, “que vai provocar uma diminuição dos meios [de combate] possa, ao menos, ser compensada com uma melhor coordenação dos meios existentes e à disposição, que é aquilo que tem faltado”.

O autarca denunciou que “nas ocasiões do fogo” tem verificado a existência de “muitas autoridades, muitas vozes de comando, que nem sempre coincidem”.

Devido a esta situação, observou, verifica-se “muito trabalho descoordenado e esforço dos bombeiros, às vezes, subaproveitado”.

O PNSE abrange áreas dos concelhos de Seia, Gouveia, Guarda, Manteigas, Celorico da Beira e Covilhã.

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