Universidade de Coimbra procura novos fármacos na flora endémica ameaçada

Foto Paulo Novais/Lusa

A proteção, por serem espécies ameaçadas, e o estudo dos componentes, valorizando-os, em busca de um potencial farmacológico, é o objetivo de uma investigação da Universidade de Coimbra (UC) sobre a flora endémica portuguesa.

O projeto teve início em 2010, em pleno Ano Internacional da Biodiversidade, e desenrola-se até 2012, de Norte a Sul do país, com 14 espécies anti-fúngicas, pertencentes à família das “Apiaceaes”.

Nesta fase já foram identificadas duas espécies com grande potencial anti-fúngico, e numa delas também propriedades anti-inflamatórios, cujos componentes não revelaram toxicidade, o que as transforma num atrativo alvo da investigação de novos fármacos.

Lígia Salgueiro, professora na Faculdade de Farmácia da UC e coordenadora do projeto, revelou à agência Lusa que uma delas é variante espontânea da cenoura (Daucos carota, subespécie halophilus) que tem em Portugal os únicos habitats no mundo, escassamente povoados, em particular na zona algarvia do Cabo de S. Vicente, mas também no Alentejo e Estremadura.

A segunda denomina-se “Distichoselinum tenuifolium”. É endémica ibérica, também existente no Algarve, que revelou actividade anti-fúngica e anti-inflamatória, o que eleva o potencial farmacológico pelo facto de normalmente estarem associadas às micoses as inflamações cutâneas.

Intitulado “Conservação e valorização da Flora Endémica ameaçada de Portugal”, o estudo dá sequência a uma linha de investigação da Faculdade de Farmácia iniciada há sete décadas.

Neste caso concreto, por se tratar de plantas utilizadas na medicina tradicional, procura ainda preservar uma sabedoria empírica, e validá-la cientificamente, identificando espécies e subespécies detentoras das propriedades curativas.

Lígia Salgueiro realçou que dentro das subespécies as características químicas podem ser muito diversas, mas também têm influência nessas variações os tipos de solos e os ciclos vegetativos.

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