Torre: símbolo matricial da UC reabre hoje ao público

Nos quase três séculos que conta, nunca a Torre da Universidade de Coimbra (UC) conheceu intervenção que possa equivaler sequer à que, agora, permitiu a sua reabertura ao público. A partir de hoje, o monumento que é uma espécie de “símbolo matricial” da UC e a “representação” maior da cidade, fica aberto à curiosidade de todos os que, maiores de idade, se encontrem capazes de vencer as largas dezenas de degraus, em caracol e sempre a “afunilar”, até à “redenção” de uma vista ímpar.

Ontem, numa cerimónia que marcou a abertura do monumento após uma profunda obra de reabilitação – toda pensada, solucionada e executada com a intervenção das muitas áreas de investigação e tecnologia da UC, como, de resto, foi amplamente destacado pelo reitor Fernando Seabra Santos –, ficou clara a importância simbólica, histórica e patrimonial do monumento.

Especialista com um conhecimento profundo de todo o conjunto patrimonial, milenar, como destaca sempre, do Paço das Escolas, António Filipe Pimentel (numa intervenção em vídeo) percorreu a história e a simbologia de um monumento concluído em 1733, de acordo com o traço de António Canevari. Desde então, referiu o anterior responsável pelo Património da UC, agora diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, a Torre tem marcado, numa relação íntima e afetiva (positiva e negativamente) a vida, toda a vida, da comunidade académica. De facto, o relógio e o sino, tendo-se constituído como símbolos, são sobretudo os dois guardiões de toda a vivência académica, marcando cerimónias e momentos, o que equivale a dizer marcando as vidas, as muitas vidas que por lá continuam a moldar-se.

Rematada em terraço, precisamente para acolher o primeiro Observatório Astronómico da UC, a Torre, destacou António Filipe Pimentel, é hoje o símbolo perfeito de uma trilogia – ciência, património, espaço mítico –, a suportar em grande medida a candidatura da Universidade de Coimbra a património da Humanidade.

Raimundo Mendes da Silva, o pró-reitor que foi o grande responsável pelo conjunto e a conjugação de saberes necessários à requalificação do monumento, passou ontem em revista os seus mais importantes momentos, documentando-os com imagens amplamente esclarecedoras. E, destacou, “é necessário assegurar uma nova intervenção” a prazo, para a qual fez uma contribuição simbólica de 10 euros, montante diário de que se necessita.

Ontem ainda, foi possível a alguns convidados espreitarem a vista magnífica da Torre que, diariamente (11H00 e 15H00) pode ser visitada, recomendando-se a reserva prévia do ingresso (10 euros) para reservas@ci.uc.pt.

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