Há cada vez mais alunos a chegar com fome à escola em Coimbra

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O vereador João Orvalho denunciou ontem na reunião do executivo o aumento de número de estudantes que, dia após dia, chegam com fome às escolas de todo o concelho. Nos encontros que tem andado a realizar junto dos agrupamentos, o autarca disse que as direções das escolas têm dado conta da situação, apesar de não especificarem que tipo de crianças ou jovens são abrangidos com este flagelo social.

Se, nos estabelecimentos do 1.º ciclo, os casos são logo sinalizados e as questões resolvidas através dos protocolos estabelecidos entre a câmara e as IPSS, as escolas do 2.º e 3.º ciclo e do secundário, a questão muda de figura. “A quantificação é muito difícil de fazer, mas avisaram-nos que aumentaram significativamente os reforços dos almoços e dos lanches” nestas escolas, disse.

Para que tal seja possível, João Orvalho referiu que a solução encontrada por algumas escolas foi ir buscar “às receitas próprias o suporte desta decisão”.

Mas se esta questão é, já por si, preocupante, o vereador com o pelouro da educação recordou que o município está a deparar-se com outro tipo de problema: o incumprimento, por parte dos pais, do pagamento das refeições que são dadas em todos os estabelecimentos de ensino. “A ordem dada é que nenhuma criança ficará sem almoçar mesmo que os pagamentos não estejam a ser efetuados”, garantiu.

Questionado se o problema é sentido mais nas escolas de freguesias de meios urbanos ou rurais, o vereador afirmou que ele “é transversal”. “Os diretores não nos conseguem diferenciar. Mas os problemas são claros. Chegamos ao ponto das crianças já entrarem de manhã nas escolas com fome”, referiu.

Para além das refeições escolares, a tendência é de que o problema se estenderá aos transportes. Os serviços da autarquia, de acordo com o vereador, “recebem diariamente mais pedidos de apoio” para os transportes. Isso poderá levar ao reforço da verba inscrita no orçamento de 2011. “As pessoas vão, cada vez mais, ficar com menos capacidade de se deslocarem por meios próprios para os estabelecimentos de ensino”, afirmou.

Para já, os serviços da autarquia estão a estudar a melhor forma de resolver o problema, pois “há zonas limítrofes do concelho, onde temos concessões de transportes, e em que o objetivo é repensar muito bem o trajeto que os autocarros fazem, pois isso vai fazer toda a diferença entre as crianças irem ou não irem às escolas”.

One Comment

  1. Sean Madeira says:

    E eu que pensava que na Europa não existia este tipo de problema.

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