89 milhões de euros em risco por falta de comparticipação nacional

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A Universidade de Coimbra tem um programa de investimentos em infraestruturas de 89 milhões de euros com financiamentos comunitários aprovados, mas as dificuldades em garantir a comparticipação nacional estão a pôr em risco a sua concretização.

Para concretizar esses projetos é necessário assegurar uma comparticipação nacional de cerca de 25 milhões de euros, mas a Universidade de Coimbra (UC) não consegue ir além dos seis a oito milhões de euros, explica.

“Avançou-se muito e deixa-se uma perspetiva muito boa de investimento” para o período de 2011-2014, coincidindo com a fase final do QREN, disse à agência Lusa Fernando Seabra Santos. “É preciso recorrer a investimentos do Estado, que estão por garantir”, sublinhou o reitor cessante, adiantando que há propostas da UC para “não sobrecarregar o Estado além do que seria razoável”.

Seabra Santos explicou que essas possibilidades não chegaram a ser discutidas com o Governo “por não ter sido possível chegar à fala com o ministro sobre esta téria”, já que o gabinete de Mariano Gago não respondeu aos pedidos de audiência. “Gostaria de ter levado mais adiante o programa de desenvolvimento físico da universidade”, a instalação das faculdades, das unidades orgânicas e dos serviços, declara.

Psicologia e Desporto ainda por fazer

Na sua perspetiva, há duas faculdades que estão ainda muito mal instaladas, a de Psicologia e Ciências da Educação e a de Ciências do Desporto e Educação Física, mas os projetos dos edifícios estão concluídos e aprovados e com financiamento do QREN assegurados. “O tempo não é muito favorável a investimentos nem o foi nos últimos oito anos dos meus mandatos e isso foi a razão fundamental porque o programa não foi tão longe como eu teria gostado”, diz.

Fernando Seabra Santos diz, contudo, que “não é muito dramático que uma perspetiva que deveria ter sido a três ou quatro anos venha a ser a cinco ou seis anos”, porque “a Universidade de Coimbra tem 721 anos e sabe bem lidar com o tempo e sabe bem esperar o momento para realizar as suas perspetivas”.

Compreender as dificuldades que o país atravessa

“Não nos podemos queixar demasiado. Temos de compreender as dificuldades que o país atravessa. O que é preciso é que as pessoas se concertem e encontrem vias de resolução dos problemas”, observou.

Nos seus oito anos como reitor, Fernando Seabra Santos dotou de novas instalações as faculdades de Medicina e Farmácia e criou mais alguns edifícios na Faculdade de Ciências e Tecnologia, dando sequência ao trabalho iniciado como vice-reitor em 1998 com o pelouro das instalações e equipamentos.

A sua gestão fica ligada também à concretização da primeira fase do Museu da Ciência e ao lançamento da segunda fase, que criará um espaço museológico com 15 mil metros quadrados, e à conclusão e apresentação, em 2010, da candidatura da UC à UNESCO para a classificação como Património da Humanidade.

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