Oficial da Marinha figueirense indica o caminho marítimo para o futuro

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Foto Jot'Alves

O futuro está no mar. Dentro de poucos anos, Portugal deverá passar a ser um dos maiores países da Europa. Não se prevê qualquer ação telúrica que faça crescer este retângulo à beira-mar plantado de forma exponencial: o crescimento do país vai ser decidido pela ONU e tem o fundo do mar como base.

Se a proposta de alargamento da plataforma continental for aprovada, o país passará a ter soberania sobre o solo e o subsolo marítimos numa área cerca de 15 vezes maior do que o atual tamanho do território continental. O comandante da Marinha Armando José Dias Correia acredita que as Nações Unidas vão responder positivamente às ambições expansionistas lusitanas.

Porém, diz o autor do livro “O Mar no Século XXI”, apresentado sábado no Casino Figueira, “desta vez, o mar não vai ser um meio de passagem, mas sim o destino”. Um destino que pode enriquecer o país. O autor figueirense atesta que há petróleo, gás e cobalto no subsolo da área que se pretende alargar. “Existem ainda matérias raras e importantes que já escasseiam em terra, algumas delas utilizadas pela indústria farmacêutica”, aduz.

Todavia, ressalva Dias Correia, “o país tem de criar condições para conseguir explorar os recursos” que se escondem no fundo do mar e por debaixo deste. O capitão de fragata, natural da Figueira, que em criança se mudou para a Serra de Castros, Maiorca, e que tem casa em Alhadas, sabe que não vai ser fácil. E exemplifica: “conhece-se melhor a superfície da lua do que o fundo do mar”.

Janela de oportunidades

É pois tempo dos portugueses voltaram a pensar em desbravar mares nunca d antes navegados. Depois do Brasil, África, os lusos podem voltar a encontrar no mar “uma nova janela de oportunidades”. É acerca disso que Dias Correia escreve no livro, adaptado da sua tese de mestrado sobre estratégia. Se a plataforma continental for alargada, em algumas regiões, a Zona Económica Exclusiva pode passar das atuais 200 milhas para as 350 milhas.

A norte dos açores, por exemplo, existem reservas de cobalto suficientes para abastecer 25 por cento da procura mundial. O referido alargamento da plataforma continental em 1,3 milhões de quilómetros quadrados prevê o cenário mais otimista, já que o crescimento físico do país pode ser de “apenas” 240 mil quilómetros quadrados.

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