Mosteiro de Santa Clara-a-Velha: o melhor museu português

A paisagem, soberba, alarga-se à colina nobre da cidade, a que sustenta o fórum romano e alberga a velha universidade. Entre uma e outra margem, o Mondego de águas agora mansas ditou o destino do mosteiro medieval intimamente ligado à figura ímpar de Isabel de Aragão, a Rainha Santa de Portugal. Resgatado das águas e de quatro séculos de esquecimento, o monumento oferece-se, finalmente, a todos os olhares. E o fascínio é certo. Tão certo como os prémios que, desde a sua abertura ao público, em abril de 2009, têm atestado a qualidade da intervenção e da proposta museológica.

O mais recente – que trouxe para Santa Clara-a-Velha o título de “melhor” museu português, ex aequo com o Museu Municipal de Penafiel –, junta-se a outras importantes distinções: o Prémio Internacional AR&PA 2010, atribuído pela Junta de Castela e Leão, ou o Prémio Europa Nostra, na área da conservação e restauro, entregue em junho último em Istambul, Turquia, no âmbito da Capital Europeia da Cultura.

Visitante 100 mil “aproxima-se”

Todos somados, mas devido sobretudo à essência do que está na origem de tais distinções, o resultado diz-se num número redondo (a atingir “muito brevemente”): o visitante número 100 mil tem garantida uma receção de que não irá esquecer-se tão cedo.

Quem o garante é Artur Côrte-Real, o arqueólogo que é o coordenador do projeto que acompanha desde sempre. Desde que, em 1992, a então Secretaria de Estado da Cultura deu luz verde a um projeto, iniciado quatro anos depois. De então para cá, num processo em que o enquadramento científico, nomeadamente na área da arqueologia – Santa Clara-a-Velha é hoje o mais importante “sítio” medieval da Europa –, tem sido de um rigor absoluto e reconhecido, os 7,5 milhões de euros financiados pelo Programa Operacional da Cultura serviram para estruturar um projeto âncora no desenvolvimento do turismo cultural na cidade, na região e no país.

Para Artur Côrte-Real, este último foi, sem dúvida, “um dos prémios mais gratos” para Santa Clara-a-Velha, que tem sido objeto de reconhecimento nacional e internacional. “E a nós, como investigadores, apraz-nos saber que houve uma avaliação creditada do que é o nosso grande objetivo e que incide sobretudo nos conteúdos”, garante o responsável.

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