Guarda – a cidade com futuro

“No distrito da Guarda, partilhamos memórias comuns e respeitamos valores que nos unem. Esta é a nossa força! Terras com história, um povo com alma, o futuro é o seu destino” – estas palavras integram o postal de Boas Festas do Governo Civil da Guarda.

Considero-me da Guarda. Ainda digo: “bem-haja”; se “achar” bem; acordei com um “camão” de neve. Gosto de morcelas, de cabrito, de requeijão, de queijo da serra, de doce de ginja, de filhoses, de “cavacas”, de bolo da Páscoa, de pão espanhol. Sinto-me conterrânea de todas e todos os que nasceram, vivem, ou os que, por razões familiares, por amizade, ou por empatia, se sentem da Guarda.

“O nosso coração pertence ao lugar onde fomos felizes”. Eu fui muito feliz na Guarda. Vivo em Coimbra, há mais anos do que vivi na Guarda, nasci em Coimbra, vivi cá os meus primeiros anos de vida, a seguir fui para Lisboa, mas é na Guarda que tenho as minhas raízes, as minhas origens. Toda a minha família é de lá, ainda tenho lá casa, foi na Guarda que fiz quase todo o meu percurso escolar, até vir para a Universidade. (…)

Sinto o pulsar da cidade e da região. Tenho um vínculo sentimental, sem dúvida, mas também um vínculo de responsabilidade que me impele a tentar fazer mais, fazer melhor, fazer diferente, acrescentar valor e, sobretudo, corresponder com sentido cívico, activo e construtivo aos desafios que me são propostos.

É o caso, agora. O Governo Civil, em boa hora, decidiu lançar o “Ai muito me tarda”, um encontro, que visa proporcionar um “brainstorming “, uma procura de ideias inovadoras e criativas para a Guarda, entre personalidades unidas por “uma ideia de partilha e de pertença a uma herança e a uma memória comum”. Esta ideia, afectiva e acolhedora, rara nos tempos que correm, de congregar à volta da cidade e do distrito, pessoas ligadas à cultura, à política – de todos os quadrantes –, à economia, ao meio empresarial, é um excelente ponto de partida.

No entanto, para saltar de nível, para aplicar as soluções improváveis, mas inteligentes que, com certeza, vão surgir deste repto, alguém, na sua qualidade de político, cidadão e amante desta terra, se proporá sintetizar, catalisar, promover, potenciar, coordenar a aplicação do ali surgido, o que é, em si, uma fonte de esperança, uma perspectiva de futuro para a nossa terra.

Nunca senti a Guarda, nem agora, nem quando lá morava, como uma zona “interior”. E sou do tempo em que não havia A25, nem A23. Por razões familiares e profissionais, sobretudo da minha Mãe e Avós, mas também em lazer e férias, com as minhas três irmãs, ia com frequência ao Porto, a Lisboa, a Santarém, ao Algarve, à Figueira da Foz. Mas mais, a Cidade Rodrigo, a Salamanca, a Madrid, à Isla Canela. A TVE faz parte do imaginário de todos os que viveram na Guarda antes da TV por cabo e da Internet. Muitos de nós falamos, pensamos e sentimos a Língua Espanhola quase como língua materna. Quase todas as pessoas da Guarda, mas mais ainda as do Sabugal, da Meda, de Trancoso, de Almeida, de Figueira de Castelo Rodrigo, de Vila Nova de Foz Côa têm, pelo menos um amigo/a do peito espanhol/a. O que quero dizer é que os horizontes das pessoas do distrito, nunca foram o litoral, ou a fronteira com Espanha. A Guarda não é interior, Lisboa é que vai ser periférica.

E não se atrevam a chamar “Portugal Profundo” a esta região. É que não se trata só de história, tradição, paisagem, relevo, frio que aquece, beirões- sinceros, sãos, amigos do seu amigo – trata-se do Centro de Estudos Ibéricos, do Teatro Municipal, um equipamento cultural único, empresas de prestígio, a BB Consulting, Arquit. e Eng. SA, por exemplo e, em Marialva-Mêda, as “Casas do Coro”, turismo de aldeia com uma projecção inaudita em qualquer parte do mundo, sendo, o local escolhido pelo nosso Presidente da República para passar o ano com a família.

Apesar da descaracterização urbanística, da falta de visão estratégica durante alguns anos passados, dos abusos cometidos, a Guarda possui bens intangíveis: uma localização excepcional, um património material e imaterial único, e, o mais importante, um povo bom. Como expressou recentemente o PCMG, “somos capazes de fazer, inovar… mesmo neste período de crise que abala o país e o mundo”. Afinal, o maior activo da Guarda é ela própria.

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