Editorial: O metro e o resto

Paulo Marques

Paulo Marques

Quarta-feira, 19 de janeiro. A agitação política dos últimos meses, em Coimbra e nos concelhos limítrofes de Lousã e Miranda do Corvo, tem hoje um “momento zen”, em Lisboa. Na Assembleia da República, discutem-se projetos de resolução e decide-se sobre o que fazer com uma petição que mais de oito mil pessoas assinaram, contra a suspensão das obras do metro.

O que os deputados da Nação decidirem, hoje, vai “dizer” muito do que é a força real de Coimbra e da sua região e do que as outras regiões e a Nação querem saber de Coimbra.

O que vão fazer os deputados eleitos pelo Partido Socialista, pelo Círculo de Coimbra, é também uma incógnita. Até agora, não houve notícia de que tenha sido pedida liberdade de voto e, muito menos, de que lhes tenha sido proposto tal prerrogativa. Bem diferente, diga-se, do que aconteceu há uma década, aquando das tensões motivadas pelas votações no tristemente célebre processo da co-incineração de resíduos industriais perigosos.

Quarta-feira, 2 de Fevereiro. O Ministério das Obras Públicas e dos Transportes, depois de muitos avanços e recuos, de estudos e mais estudos, de promessas e mais promessas, de muitas meias verdades e puras mentiras, vai finalmente dizer aos presidentes das câmaras de Coimbra, da Lousã e de Miranda do Corvo o que quer fazer do Sistema de Mobilidade do Mondego.

Nos dias imediatos, haverá quem não goste – e prossiga as ações de agitação, que, valha a verdade, também servem interesses pessoais e políticos mais ou menos visíveis. Mas, inevitavelmente, o assunto vai morrer. Talvez seja, então, altura para, em Coimbra e na sua região, olhar com mais atenção para problemas de acessibilidades verdadeiramente mais relevantes. Como a autoestrada para Viseu. Como o IC6 para a Beira Interior. Ou, mesmo, como o antigo IC3, que é de todos o único que anda e que, portanto, está mesmo a jeito para a próxima investida do poder central contra Coimbra e a sua região.

10 Comments

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.