Sérgio Conceição magoado por não ter acabado na Briosa

Humilde, mas irreverente… como sempre. Sérgio Conceição foi o grande galardoado da 4.ª Gala do Desporto Cidade de Coimbra e mostrou-se muito emocionado por ser distinguido pela cidade que o viu “nascer para o futebol”, que lhe ergeu um estádio em seu nome e que o voltou ontem a homenagear, com o prémio de maior prestígio no desporto.

A controvérsia que sempre lhe marcou a carreira não foi indiferente, esta segunda-feira (29) à noite, a muitos dos que assistiam à gala, que, por coincidência, ou talvez não, se levantaram na hora em que o ex-internacional português estava a receber o prémio.

Em cima do palco, foi distinto o agradecimento que fez aos seus pais, à cidade e à câmara municipal, mas, já depois de receber o prémio, Sérgio Conceição voltou a mostrar que não tem papas na língua.

Em 2007 a possibilidade de Sérgio Conceição vir a representar a Académica esteve em cima da mesa. O jogador não perdoa José Eduardo Simões, porque lhe atribui as culpas por não ter acabado a carreira no clube onde a tinha começado. “Toda a gente sabe dessa história. Foi um pouco por culpa do atual presidente da Académica que eu não vestia a camisola que tanto orgulho teria em representar”, diz. Apesar de se tratar de “águas passadas”, Sérgio Conceição diz que fica “sem dúvida, com essa mágoa”.

Para testemunha de defesa, o ex-internacional chama o atual treinador do Sp. Braga, Domingos Paciência. “Há três pessoas que sabem bem da história, que são o Domingos Paciência, que era o treinador na altura, eu e o presidente da Académica. Há duas pessoas que estão em sintonia e há outra que diz outras coisas…”, referiu, no final da gala.

Sonho por realizar

“Era o terminar de carreira que eu sonhava… não era acabar na Grécia. Queria terminar em Coimbra, perante a minha gente, a jogar pela minha Briosa, que representei durante seis anos, enquanto miúdo…”, explicou Sérgio Conceição.

A tristeza e a mágoa ainda não o abandonaram, porque, como diz, “quem não se sente não é filho de boa gente… e eu sou filho de boa gente com toda a certeza”.

Agora, Sérgio Conceição promete que continuará sempre disponível para ajudar a Académica. Apesar de tudo, o agora treinador-adjunto no Standard Liège, diz que “o futuro dirá de que forma poderei ajudar a Académica”, mas a mágoa com os dirigentes do clube dos estudantes é grande. “Fico espantado com algumas atitudes dos dirigentes da Académica. Na inauguração do estádio [Sérgio Conceição] ofereceram-me um cartão que diziam ser vitalício… agora esse cartão já expirou”, afirma.

Polvo que não adivinha

Sérgio Conceição ainda falou de seleção, ou, mais propriamente da Federação Portuguesa de Futebol. Diz que “o problema não é o Carlos Queiroz, nem o Paulo Bento… Se continuam os mesmos dirigentes, a maneira de gerir e de tratar as pessoas que estão sob a égide da federação será sempre igual, independentemente dos selecionadores”.

Sérgio Conceição afirma que a saída de Queiroz não o surpreendeu, “porque conheço bem os dirigentes que estão na federação… Se calhar houve muita gente surpreendida, mas eu não”.

Um polvo? “Existe… mas não aquele que adivinha resultados. Este prevê outras coisas, mas não adivinha nada. Prevê e prepara as coisas sempre de acordo com o seu bem-estar e não de acordo com o que é melhor para a seleção”.

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