Muitas mulheres ficam sozinhas durante a gravidez

Cerca de 40 por cento das grávidas acompanhadas na Associação de Defesa e Apoio à Vida (ADAV) são mulheres que assumiram a maternidade contra a vontade do companheiro. São mães-coragem que, não raras vezes, se culpabilizam por terem assumido a gravidez.

“Muitas chegam aqui e dizem: “fui eu que não quis fazer um aborto. Fui eu que assumi esta responsabilidade. Continua a haver uma certa cultura de desresponsabilização do papel do pai”, lamenta Ana Maria Ramalheira, diretora da instituição.

Apesar de o número de casos já ser significativo, a responsável diz que são cada vez mais as mulheres que acabam por ficar sozinhas perante a maternidade.

Entre janeiro e setembro deste ano, a ADAV acompanhou 95 grávidas, oito delas adolescentes, mas a associação está cada vez mais empenhada em responder, de forma pró-ativa e criativa, às crescentes vulnerabilidades e carências sociais e aos constantes pedidos de apoio que são endereçados à associação por diversas instituições do distrito de Coimbra.

“A pobreza tem um novo rosto. Há pessoas que já ajudaram a ADAV e que agora vêm bater à nossa porta. São pessoas que já não têm condições para ter mais um filho porque entretanto assumiram compromissos financeiros e vêm-se aflitos. É dramático”, diz a responsável.

Apoiar a maternidade e a natalidade, através do auxílio que presta às grávidas e mães que vivem com dificuldades ou que, por motivos diversos, precisam de ajuda nesta fase das suas vidas, é a razão da existência da ADAV.

Atualmente, a associação presta apoio a 337 mães da zona de Coimbra, entre as quais se incluem grávidas, grávidas adolescentes e puérperas, e a 408 crianças, com idades até aos nove anos, bem como às suas famílias, explica Ana Maria Ramalheira, presidente da direção da ADAV.

A maioria das mães apoiadas tem idades compreendidas entre os 25 e os 35 anos e, entre as principais problemáticas potenciadoras dos pedidos de ajuda, estão situações de disfuncionalidade familiar, monoparentalidade, carência ou insuficiência de recursos económicos, isolamento ou ausência de suporte familiar.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.