As presidenciais – candidatos e estratégias

Nesta semana que agora termina ficámos a saber que houve acordo quanto ao formato e às datas dos debates entre os candidatos à Presidência da República. Entre 14 a 29 de Dezembro assistiremos a um candidato Fernando Nobre na tentativa de alargar a sua base de apoio à esquerda e à direita como o único que não tem apoio expresso de nenhum dos partidos políticos.

O seu sucesso nessa estratégia, no qual não acredito, poderia indirectamente ajudar o candidato Manuel Alegre a acalentar esperanças duma segunda volta, na qual igualmente não acredito. Claro está que este meu “não acredito” nada tem a ver com as qualidades humanas e intelectuais de qualquer dos candidatos. O que tem a ver, isso sim, é com o facto do candidato Francisco Lopes, claramente o homem do Partido Comunista e de quem se falava até para suceder a Jerónimo de Sousa, ter aqui um papel de segurança dos “seus votos”.

Se assim não for, pode aí Manuel Alegre ter hipótese de mais 3 ou 4% de margem de crescimento com a expectativa, ainda que lateral, por agora, de quais os efeitos na condução dos destinos do Partido Comunista.

Mas a verdadeira questão em todo este processo eleitoral das Presidenciais em 23 de Janeiro tem a ver com a pessoa e o que representa hoje em dia na sociedade portuguesa, que é Cavaco Silva.

Como alguém notava muito recentemente, o Prof. Cavaco Silva, tendo sido líder partidário, e nesse contexto Primeiro-Ministro, conseguiu ao longo destes anos uma imagem que paira acima dos partidos políticos.

No momento actual, muitos daqueles que não apreciaram no passado a sua forma política de estar ou de agir, reconhecem hoje que não estamos em tempo de experimentalismos.

O candidato Cavaco Silva oferece hoje uma garantia de estabilidade que assentará sempre na já referida cooperação estratégica ou agora designada (ainda que em conceito diferente) de magistratura activa. Mas não deixa de ser irónico que tal cooperação, em tempos tão saudada, possa agora ser considerada co-responsabilização na crise do País. Para além de irónico, seria injusto para quem foi alertando (que mais poderia fazer?!) para os perigos que se avizinhavam se não fossem tomadas medidas adequadas.

Na verdade, bem pode tentar Manuel Alegre “bater nessa tecla”, que quanto mais o fizer… mais responsabilizará quem de direito, ou seja, o Governo e o Primeiro-Ministro.

Esses, sim, são os responsáveis. O seu julgamento virá mais tarde e no tempo certo.

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