A agenda dos valores

Em tempo de sacrifícios adicionais, torna-se indispensável que cada um dos cidadãos seja convocado a participar nesta gigantesca e importante missão de posicionar Portugal numa trajectória de desenvolvimento sustentável.

Já quase todos perceberam que a dimensão do problema deixa cada vez menos espaço para demagogia, margem para discursos irrealistas e, por consequência, cada vez mais espaço para o rigor e a disciplina de gestão pública e privada, poderem fazer o seu caminho.

Neste âmbito, é essencial dar um novo sentido à política e, através dela, fazer renascer uma nova atitude em todos os portugueses. É verdadeiramente uma tarefa colectiva que necessita de líderes com carisma nos diversos sectores da sociedade.

Na realidade, a complexidade da tarefa deverá obrigar ao inconformismo permanente e à assumpção clara de que é preciso pensar e agir de forma diferente. Se há 36 anos, conseguimos finalmente implantar o regime democrático, hoje, temos o dever cívico de participar num novo desígnio nacional que deverá basear-se numa cultura de velhos valores.

Se em cada canto deste nosso belo Portugal, formos capazes de escolher sempre os melhores, a ética estiver presente em cada um dos nossos pequenos actos, o esforço for premiado, a criatividade estimulada, a capacidade de risco assumida e a solidariedade vivida com convicção, então a imensa tarefa tornar-se-á mais fácil.

Fazer isto, deverá ser a missão individual de cada um e não somente dos políticos, como às vezes aparentemente se pretende passar. Essa atitude colectiva deverá ser a esperança de futuro e o sentido para mais sacrifícios.

Num país cheio de diagnósticos, planos e teorias, a única solução é verdadeiramente a capacidade de implementação daquilo que precisa de ser feito, onde o perfil dos executores, mais do que nunca, deve incluir como factor fundamental, conhecimento da “vida real”.

A “vida real” das empresas, das organizações, das cidades mas, também, dos pequenos territórios, será crucial para incluir todos os portugueses nessa missão nacional de mudar Portugal. A mudança necessária deverá assentar na credibilidade dos políticos e, para que tal seja possível, na atitude séria de cada português em reconhecer que a participação cívica é um dever fundamental para tornar esse desejo possível.

Na segunda-feira, quando iniciarmos uma nova semana, vamos procurar ser os melhores em tudo o que fizermos, por mais básica que seja a tarefa.

Num pequeno país de 10 milhões de pessoas, com a necessária disciplina e rigor, deverá ser possível fazer o caminho, substituindo a mesquinhez e a inveja tradicionais, pela atitude de ultrapassar as contrariedades com esforço e trabalho.

Esta poderá ser uma nova agenda para superar a crise. Uma agenda complementar à da competitividade e do emprego mas, ainda assim, essencial para a sociedade portuguesa. Poder-se-ia chamar a agenda dos valores: do mérito, da ética, do trabalho, do risco, da criatividade, da solidariedade, da confiança, do optimismo e do Novo Portugal.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.