“Paulo Campos é um mero veículo de poderes que o ultrapassam”

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P – O que é o Fórum Centro Portugal?

R – É um movimento, que integra empresários, autarcas, responsáveis das ordens profissionais e do turismo e professores universitários do Centro do país, nascido em Fevereiro de 2008, que visa ativar Monte Real como aeroporto civil.

P – O que fizeram, desde então?

R – Começámos por elaborar um documento que define em concreto a reivindicação, que veio a ser subscrito por mais personalidades, e que apontou para a necessidade da elaboração de estudos que fundamentem a necessidade e viabilidade da infraestrutura. Este documento foi entregue formalmente ao Governo, num encontro com o ministro Mário Lino e o secretário de Estado Paulo Campos – que, aliás, transmitiram à comunicação social a sua abertura à elaboração de estudos.

P – O que mudou, então, na orientação do Governo?

R – Não sei. O que sei é que, em Setembro de 2009, o ministro Mário Lino me comunica que as eleições não alterariam a orientação do Governo sobre a colaboração com o Fórum, mesmo no caso de a pasta mudar de titular. Só que não conseguimos qualquer contacto com o novo titular da pasta António Mendonça.

P – Mas o secretário de Estado manteve-se…

R – É verdade e foi através dele que tentámos prosseguir o diálogo. Ele justificou a demora com a necessidade de o novo ministro tomar em mãos uma série de dossiês. Mas prometeu um encontro formal para breve. Entretanto, mantivemos de pé uma candidatura aos fundos europeus, através de um programa gerido pelo gabinete do próprio ministro, conforme sugestão do secretário de Estado.

P – Chegaram a conseguir falar com António Mendonça?

R – Ao fim de quatro meses, recebemos finalmente uma resposta do gabinete do ministro e o encontro aconteceu em Março, tendo a direção do Fórum convidado os presidentes das câmaras de Coimbra, Leiria e Figueira da Foz (envolvidas no processo desde o início e comprometidas em assegurar parte da comparticipação portuguesa na candidatura aos fundos europeus).

P – E então?

R – Ponto prévio: o secretário de Estado não esteve presente. E, aliás, deixou de responder às nossas comunicações e mesmo de atender o telefone. Quanto ao ministro, apresentou-se como um desconhecedor de todo o processo e prometeu analisar o dossiê. Mas não se manifestou minimamente comprometido pelas anteriores promessas de colaboração do Governo. A nossa convicção é de que ele conhecia e conhece todo o processo, mas simulou uma reflexão nova para evitar exigências de cumprimento das promessas governamentais.

P – Com que objetivo?

R – O objetivo é o de confrontar os defensores de um aeroporto para o Centro com factos consumados. Esses factos serão, com toda a probabilidade, a fixação dos atuais quatro aeroportos do continente (Porto, Lisboa, Beja e Faro) como os únicos a considerar no processo de privatização da ANA.

P – Mas não desistiram…

R – Não. Mantivemos o rumo paciente do diálogo e do compromisso. E o passo seguinte foi o de expor a situação ao primeiro-ministro, com o objetivo de insistir na via dos estudos. O que veio a acontecer em finais de julho.

P – O que diz Sócrates?

R – Ponto prévio: o secretário de Estado Paulo Campos esteve presente e, não obstante o ceticismo sobre Monte Real, que fez questão de manifestar, ficou encarregado de diligenciar a rápida retoma dos estudos. Quanto ao encontro, foi reservado e não gostaria de ir mais longe do que isto: o primeiro-ministro ignorava que os compromissos governamentais já tinham ido tão longe e comprometeu-se com o retomar dos estudos. Depois, pediu paciência e aconselhou persistência.

P – Como avalia essa atitude do primeiro-ministro?

R – A conversa surpreendeu-me muito favoravelmente. É uma pessoa que julgo conhecer suficientemente para dizer que não estávamos a ser enganados. O facto de não estar aqui a revelar a conversa, na sua substância fundamental, significa isso mesmo, que falámos com liberdade, com frontalidade e com alguma margem de entendimento.

P – E agora?

R – Teremos, naturalmente, que nos fiar no compromisso do senhor primeiro-ministro que, em princípio, vale mais do qualquer outro em Portugal. Por isso, vamos manter de pé a estrutura já montada, no ano passado, com universitários, com entidades públicas da aviação civil e com especialistas da Força Aérea, de resto já com trabalho iniciado.

P – Mas, entretanto, houve aquela declaração de Paulo Campos, na Figueira da Foz…

R – Especular sobre isso seria fazer processos de intenção. O que constatamos é tão só que houve uma inflexão pronunciada, face a anteriores posições. O que esperamos é que esta contradição venha a ser ultrapassada, a breve prazo. Noto, aliás, que na mesma sessão outro secretário de Estado, Fernando Serrasqueiro, se pronunciou em sentido contrário, a favor do aeroporto em Monte Real.

P – É uma birra pessoal de Paulo Campos?

R – Não há questões nenhumas pessoais em que o Fórum se envolva. O dr. Paulo Campos é um mero protagonista na condução de opções que seria até absurdo atribuir-lhe. São opções de tal relevância e dimensão que, de certeza, são motivadas e conduzidas por poderes que o ultrapassam, qualquer que seja a sua natureza. Por isso, seria um erro da nossa parte confundirmos a mensagem com o mensageiro.

P – Ainda assim, o Fórum foi obrigado a suspender a Convenção do Fórum Centro Portugal, marcada para 23 de outubro, justamente na Figueira da Foz…

R – Claro que, perante as declarações do secretário de Estado, a convenção, para a qual tínhamos convidado o primeiro-ministro e várias personalidades da área governamental, foi de imediato suspensa.

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