Notícias de primeira página

O Presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática e Coordenador do Comité de Organização do 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes que decorrerá na África do Sul foi detido e expulso de Marrocos. Tiago Vieira, conimbricense, visitava a 30 e 31 de Outubro o Sara Ocidental a convite da organização de juventude da Frente Polisário.

Ao aterrar em Laayoune, região onde recentemente houve brutais incidentes de que resultaram muitos feridos e um jovem de 14 anos foi assassinado pelo exército marroquino, Tiago Vieira foi impedido de sair do avião, foi fotografado pela polícia, o seu passaporte foi-lhe retirado, sendo obrigado a regressar a Casablanca, onde ainda sob detenção policial foi encaminhado para uma sala onde esteve fechado durante 15 horas, tendo sido depois obrigado a embarcar para Portugal. Em nenhum momento lhe foram explicados os motivos da detenção e da expulsão de Marrocos, apesar de Tiago Vieira por diversas vezes ter questionado a polícia que apenas respondeu “ter ordens superiores”.

“Leste a notícia sobre o Tiago?” – perguntou-me ela. “Qual? Onde?” “Dizes bem. Sobre o Tiago Vieira.

Claro que só a encontras nas redes sociais e num comunicado do PCP. É sempre assim.” E explicou-me como se eu não soubesse: “A FMJD de que Tiago Vieira é presidente tem 65 anos de existência, é “Mensageira da Paz” das Nações Unidas, mantém relações estreitas com a Unesco, tem membros em 120 países e um valioso património de defesa da Paz, dos direitos dos povos, na luta contra o fascismo e o imperialismo. Agora percebes? É precisamente pelo seu historial que é profundamente incómoda. Aliás, o Tiago Vieira teve recentemente um tratamento do mesmo género em Israel. Não é por acaso que antes do 25 de Abril a PIDE controlava e prendeu mesmo jovens que participaram em diferentes festivais mundiais da juventude.

Na próxima semana, a Universidade de Coimbra vai homenagear Aminettou Haidar, entregando-lhe a medalha da instituição. Aminettou é a activista sarauí que esteve em greve da fome em Lanzarote, depois de ter escrito a sua nacionalidade num formulário de chegada ao aeroporto: “Sarauí, do Sara Ocidental”, sendo-lhe então retirado o passaporte. Lembras-te? Ela antes passou mais de 4 anos detida em prisões marroquinas sem qualquer julgamento.” Eu comentei, interrompendo-a: “É inadmissível que os jornais, as rádios e as televisões não se refiram a um incidente como este.

Se o Tiago tivesse sido detido em Cuba ou na Venezuela o Ministério dos Negócios Estrangeiros faria disso um enorme caso diplomático e a comunicação social daria tratamento de primeira página e de abertura de telejornais.

Ou será que estou enganado?” “Então não?” respondeu, acrescentando a sorrir: “Anda lá! Vais tu contar a história, de certeza…” E ela acertou.

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