U2 em Coimbra: brilho intenso que nem a chuva estragou

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Foto de Paulo Marques

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Bono Vox nunca foi à universidade. Confessou-o em Coimbra, em resposta à reverente alusão à velha torre. Se tivesse ido, certamente teria saído graduado em vendas. Um salesman que a tradução instantânea do concerto transformou em caixeiro-viajante e a que o irlandês acrescentou: “vendo cantigas com os meus amigos”.
Num concerto absolutamente arrebatador, este terá sido, talvez, o momento menos mainstream, quiçá o menos demagógico, não obstante o piscar de olho a Coimbra e à Académica, com o inesperado grito “Brioooooosa”, na entrada da banda.
É certo que há pormenores que, apesar de já por demais dissecados, merecem destaque: a mensagem política de apoio a Aung San Suu Kyi, que a ditadura birmanesa mantém, há anos, em prisão domiciliária; a mensagem social, com o apelo ao combate à pobreza extrema; a mensagem poética, com a habitual escolha de uma rapariga, na red zone, para uma dança ao som de “All I want is you”; e, claro, a parafernália tecnológica trazida por centenas de camiões e que o palco sui generis tão bem consubstancia;
E, no entanto, tudo o mais foi digno de nota, em Coimbra, no fim-de-semana mais frenético do ano. Desde logo, a afluência maciça de gente de fora, sobretudo do Grande Porto. O que, naturalmente, provocou entupimentos nas principais entradas e saídas da cidade. Na noite de sábado para domingo, por exemplo, o IC2 registou filas de largos quilómetros, quer para Norte, até ao nó da A1, quer para Sul, até Condeixa.
De uma forma geral, a sinalização de itinerários recomendados e de parques de estacionamento, articulada com os serviços de transportes até ao Calhabé, funcionou de forma eficaz. Houve queixas, é certo, e até algum desconforto, por parte de quem esperava maior fluidez. Mas o tom geral foi de agrado.

Chuva e vento
não assustaram fãs
Mesmo ontem, com o contratempo do dia invernoso que assustou muita gente, a logística montada pelo Município de Coimbra funcionou de forma mais do que satisfatória. E apesar das dificuldades inesperadas, certo é que os fãs que, ontem, esperavam à porta do Estádio Cidade de Coimbra pelo segundo concerto da banda irlandesa mantinham as expectativas em alta.
Pelo menos, essa era a imagem que passavam os muitos grupos em fila pelas ruas junto ao estádio como, por exemplo, um conjunto de seis amigos provenientes de Ovar, Aveiro, Chaves e até da Noruega que se encontrava numa das esplanadas da zona. Os companheiros, que só pediam um “concerto animado”, “não ficaram preocupados” por causa do mau tempo, até porque vinham “equipados” com proteções contra a chuva.
Já um outro grupo de oito fãs mostrou a mesma atitude tranquila em relação à chuva. “Que [o concerto] seja pelo menos igual ao de ontem”, pediam.

Amarelo fluorescente
Mais invulgar era a situação de Ivan Oliveira, de Fernão Ferro. Como “não tinha nenhum oleado” para o proteger da chuva, decidiu vestir um fato refletor amarelo fluorescente. “Se me perder, é fácil identificar onde estou”, esclareceu.
O mau tempo chegou a deixar o jovem preocupado. Contudo, já na fila para entrar no estádio e com o lugar garantido, exprimiu um desejo: “que seja uma loucura, o melhor espetáculo da minha vida”. Um pedido fácil de satisfazer, até porque este foi o primeiro concerto a que assistiu.

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