Olhares da UC: Simple is Beautiful

O paradigma do Small is Beautiful, publicado pelo economista inglês E. F. Schumacher durante a crise energética de 1973 e considerado um dos livros mais influentes desde a 2ª Guerra Mundial, deixou de ser válido na economia global em que hoje vivemos. Todas as estatísticas mostram que as grandes empresas são mais produtivas do que as PMEs, sendo em Portugal essas diferenças especialmente significativas: um estudo publicado este mês pela COTEC mostra que as empresas portuguesas com menos de 250 trabalhadores são responsáveis por 82% do emprego mas contribuem para apenas 68% do PIB (diferença de 14%), enquanto a média Europeia é de 67% do emprego para 58% do PIB (diferença de 9%) e na Alemanha a diferença reduz-se para 7% (60% dos trabalhadores estão em PMEs gerando 53% do PIB).

Aumentar a produtividade é imperativo para dar resposta aos desafios que Portugal enfrenta. Os números acima mostram que um dos caminhos para esse desígnio é o de fazer crescer as PMEs. Para isso, as grandes empresas e o estado têm de obrigatoriamente incorporar nos seus investimentos tecnologia das PMEs nacionais. É isto que fazem países mais eficientes do que nós a definir e executar as suas estratégias, começando desde logo pelos nossos vizinhos espanhóis. Não basta estabelecer a estratégia! 80% do sucesso está associado à execução dessa estratégia e é aí, na execução, que somos normalmente menos bons.

Stephane Garelli, professor da Universidade de Lausanne e autor de “A crise em três actos”, apontou numa conferência recente no Europarque aqueles que considera ser os quatro pilares do crescimento: 1- o “emergir dos menos pobres”, segmento da população para os quais é preciso desenvolver novos produtos adaptados ao seu baixo poder de compra; 2- a área das tecnologias limpas e da eficiência energética, em nome da sustentabilidade e para fazer face à problemática ambiental; 3- os serviços relacionados com a saúde e bem-estar da população sénior; e 4- os mercados emergentes, onde comprar significa introduzir um novo produto, ao contrário dos mercados consolidados, onde predomina a economia de substituição de produtos já existentes.

Em todos os casos, simplificar é a palavra de ordem. Simplificar não apenas nos produtos e na sua usabilidade mas também como forma de aumentar a produtividade. Na década de oitenta utilizava-se a engenharia nos processos produtivos para aumentar a produtividade trabalhando melhor. Na década de noventa recorria-se ao outsourcing para trabalhar mais barato. Na década passada a produtividade cresceu trabalhando-se noutro lado, o que deu origem à globalização. Na década actual é preciso trabalhar de forma mais simples, reduzir a complexidade, que “é coisa que os consumidores detestam”, conclui Garelli, dando como exemplo produtos com manual de instruções de tamanho proibitivo, que ninguém lê…

O paradigma do Small is Beautiful tem pois de evoluir para um Simple is Beautiful!

Sem perder eficácia, antes pelo contrário, temos de tornar mais simples, desde logo, os processos de governo e de gestão, os processos de compra e produtivos, os processos de controlo e, acima de tudo, os produtos e serviços que oferecemos ao mercado. Os consumidores querem ter experiências agradáveis na sua interacção com os produtos que usam ou com os serviços de que necessitam. Se, para além da facilidade de interacção, ainda formos capazes de introduzir uma dose qb de magia então conseguiremos diferenciar-nos da concorrência e teremos o cliente fidelizado e disposto a pagar um pouco mais para continuar a usufruir da nossa oferta por muitos anos.

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