O OE/2010 e o Metro Ligeiro de Superfície

Já no meu último artigo me referi ao que eu considero que é a defesa da Região Centro. Hoje, face ao tornado público, vou referir-me ao Metro Mondego.

Uma primeira palavra de grande solidariedade e companheirismo ao Prof. Álvaro Seco por diversos motivos. Só com ele, e sei o que exigiu quando foi nomeado, o Metro começou a ser uma realidade, sem demagogias político-partidárias (exceptuando o traçado da Solum).

O Prof. Álvaro Seco imprimiu, a todos os níveis, o ritmo de trabalho, rigor e competência que lhe são conhecidos.

Em palavras simples, com os estudos necessários o Metro começou a avançar em obras.

Agora, todos irão ou lançarão a campanha de que são pais do Metro, esquecendo-se de dizer que por lá passaram muitas Administrações de diversas cores partidárias, sem que nada tivessem resolvido.

O Orçamento de Estado veio agora extinguir a Administração do Metro e a englobar a Obra e o Projecto na Refer. É evidente que só a mudança de uma Administração que trabalhava bem, por outra que não se sabe o que vai fazer, é um forte revês para o Metro Mondego e não se augura nada de melhor para Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã.

Gostaríamos todos de acreditar que a medida inserida no OE significasse exclusivamente uma redução de custos ao nível das empresas públicas. Se fosse só isso, julgo até que o próprio Prof. Álvaro Seco ficava contente, apesar de, pelos vistos, ninguém ter falado com ninguém.

O accionista maioritário (Estado) não falou com os outros accionistas (Municipais) e, se bem conheço o Prof. Álvaro Seco, as alterações aos prazos são de tal forma significativas que não lhe deixou alternativa senão apresentar a demissão.

Este é mais um exemplo pelo qual a Regionalização se torna um imperativo para a nossa Grande Região Centro.

Razão tinha eu quando há um mês me insurgi com a vinda de um Ministro e de um Secretário de Estado para inaugurar a pavimentação de cerca de 3 Kms de ligação do IC2 a Cruz de Morouços.

Na altura, disse que ou tinham vindo fazer um frete ao Presidente da Câmara de Coimbra, Dr. Carlos Encarnação ou, mais tarde viriam anunciar que o Metro Mondego de Serpins a Coimbra estava consolidado, apesar de nova calendarização.

Esta Obra, este Projecto, tem um custo para o OE que em nada se compara com os projectos assumidos para Lisboa e/ou Porto.

Pergunta-se agora: depois de se tirarem os carris, vão parar com a obra?

Deixámos de ter comboio entre Serpins e Coimbra?

O traçado urbano de Coimbra já não se faz?

As carreiras rodoviárias que eram provisórias passarão a definitivas?

Sem estas respostas do Governo e sem se saber o que vai acontecer, tanto mais que ninguém fala com ninguém, Coimbra tem que se unir em torno de casos concretos que são factor de desenvolvimento regional, neste caso inter-municipal.

Sem apresentarmos já um corte, devemos todos e cada um de nós apresentar a nossa apreensão perante uma situação que não podemos aceitar.

Todos, sem excepção, deverão dar o seu contributo e manifestar a sua opinião, sob pena de não estar à altura do cargo que cada um ocupa. Termino, agradecendo publicamente ao Prof. Álvaro Seco por ter arrancado com um Projecto/Obra de importância nuclear para Coimbra e outros Municípios de tal forma que, hoje, dificilmente a conseguirão parar.

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