Modelo computacional sobre evolução de tumores criado em Coimbra

Uma equipa internacional de cientistas, liderada por um físico da Universidade de Coimbra, desenvolveu um modelo computacional que descreve o crescimento de redes vasculares, responsável, em grande medida, pela evolução dos tumores, foi anunciado.

No futuro, este modelo poderá ser muito importante “para auxiliar no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas que impeçam a evolução tumoral, no sentido de aumentar a eficácia dos diferentes tratamentos que atuam sobre a rede vascular que alimenta o tumor”, segundo o coordenador do trabalho científico iniciado há três anos, Rui Travasso, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Em nota divulgada, a FCTUC adianta que o modelo concebido por esta equipa interdisciplinar, que envolve também físicos, médicos e biólogos celulares das Universidades de Barcelona, Madrid, Granada e México, “pretende prever a forma como crescem os vasos capilares sanguíneos (espessura, caudal sanguíneo, densidade de vasos) em diferentes situações patológicas, nomeadamente durante a evolução de um tumor”.

O modelo desenvolvido está também a ser especializado na angiogénese que ocorre durante a retinopatia diabética, onde o desenvolvimento de uma vascularização densa e de pequenas hemorragias leva à progressiva perda de visão.

“O modelo vai-nos permitir conhecer melhor o desenvolvimento dos capilares e, em particular, conhecer qual o papel dos mecanismos físicos envolvidos”, disse hoje Rui Travasso à Lusa.

Segundo o investigador, um dos aspetos inovadores deste modelo é o facto de integrar eventos que ocorrem a nível da célula e do tecido.

Para chegar a este modelo computacional capaz de descrever a dinâmica da angiogénese foi necessário “desvendar os segredos” das células envolvidas no processo e quais as suas consequências no que diz respeito ao tipo de rede vascular formada, segundo a nota da FCTUC.

Para isso, os cientistas apoiaram-se em complexos cálculos científicos efetuados no supercomputador Milipeia, da Universidade de Coimbra.

Sabendo que “um tumor fabrica proteínas que levam a um crescimento anormal e descontrolado dos vasos capilares que o rodeiam, foi fundamental perceber os diferentes mecanismos físicos das células, ou seja, encontrar respostas para várias perguntas, como por exemplo: Como cresce a célula? A que velocidade? Em que direção se propaga? Que força exerce no tecido?”, explica o investigador da FCTUC.

No entanto, para que o modelo possa vir a ser aplicado na medicina, é ainda necessária a sua validação em laboratório, cujos trabalhos experimentais têm início em janeiro, no Instituto Biomédico de Investigação, da Luz e Imagem da Universidade de Coimbra (IBILI).

A investigação é financiada pelas Fundações para a Ciência e Tecnologia e Calouste Gulbenkian.

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