Gestão única em três hospitais de Coimbra

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Três das quatro instituições hospitalares de Coimbra vão fundir-se numa única estrutura, com gestão comum. A decisão, há muito “ameaçada”, foi tomada pelo Conselho de Ministros e anunciada no quadro do orçamento de estado de maior rigor das últimas três décadas.

Ouvidos pelo DIÁRIO AS BEIRAS, os presidentes dos três conselhos de administração foram unânimes: todas as medidas que visem racionalizar serviços, eliminar redundâncias, estimular o empenho dos quadros técnicos e, sobretudo, melhorar a qualidade da prestação de cuidados e, ao mesmo tempo, reduzir as listas de espera são bem vindas.

Num olhar mais detalhado, nota-se que o diretor mais entusiástico é o dos HUC. “Há anos que defendo esta solução, como forma de ganhar eficiência e aumentar a massa crítica das equipas, mas também como forma de potenciar a riqueza ímpar de uma fileira tão ativa e relevante em Coimbra e no país”, diz Fernando Regateiro.

Já Rosa Reis Marques, presidente do Centro Hospitalar de Coimbra, é mais cautelosa: “a missão das três instituições está há muito definida e o objetivo, agora, é concretizá-la, com uma atitude proativa e construtiva, com inteligência e bom senso, mas também com um plano estratégico que tenha em conta todos os meios (tecnológicos, informáticos, físicos) e que confira estabilidade e confiança aos recursos humanos”.

Mais em abstrato, ainda, o diretor do Centro Hospitalar Psiquiátrico concorda com a fusão de serviços, “sobretudo tendo em conta o contexto” em que é anunciada. Sublinhando a “posição de princípio, de defender todas as medidas que possam concorrer para diminuir redundâncias ou dependências”, Fernando Almeida lembra, entretanto, que não se conhece, ainda, o enquadramento legal da medida do Governo.

Simplificação, racionalização, organização. Três conceitos que o presidente da ARSCentro entende estarem subjacentes à decisão da tutela. “A gestão unificada, com concentração de serviços, faz todo o sentido e é uma mais valia para a prestação de cuidados ao doente”, diz João Pedro Pimentel, para quem a exclusão do IPO “é natural”, pela especificidade da sua intervenção e também porque já se articula numa rede nacional de cuidados oncológicos.

Entretanto, na sua página do Facebook, o presidente da secção regional do Centro da Ordem dos Médicos afirma que a decisão, “em momento de crise, com objetivos financeiros e não de qualidade”, o preocupa muito. “Novo desinvestimento e um desastre social para Coimbra? E a qualidade da Saúde?”, pergunta José Manuel Silva, para quem Coimbra e o Centro, mas também os médicos e a sua Ordem, devem estar alerta. “Eu vou estar particularmente atento. Desconfio”, remata.

Também no Facebook, o médico do CHC e militante do PS, Diogo Cabrita, diz que o que conduziu a esta opção foi a “desorganização e péssimo ensino, a falta de exigência nas faculdades, a nunca punição dos que se recusam a colaborar, a ganancia de alguns que se acoitam em não deixar mais ninguém fazer para enriquecerem”, mas também uma Ordem “insana”.

Para o médico e antigo deputado do PSD, Nuno Freitas, os HUC têm o dever de ser o “referencial universitário, assistencial e de investigação médica do país”. Por seu turno, o CHC é alternativa complementar de cuidados diferenciados. Ambos podem ter uma diminuição orçamental, em linha com os restantes EPE, mas o projeto identitário não pode estar em causa.

“Misturar a essência com ditames conjunturais de mera gestão contabilística é um erro”, adianta, rematando: “resulta obviamente de dirigentes políticos e hospitalares que não têm qualquer visão de futuro, que não prepararam as soluções de compromisso conjunto (por exemplo, na área materno-infantil ou cirúrgica) e que aceitam tudo da tutela”.

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