Das últimas décadas à semana finda

Já li justíssimas e abrangentes homenagens, infelizmente póstumas, a propósito do recente falecimento do Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro. Mas deste grande Amigo, a História muito mais terá a dizer. Humanista, Homem de Honra, de Letras, da Solidariedade Social, diria, na justa, abrangente e mais adequada expressão, da Caridade Cristã; não só da sua Cernache, de Coimbra, mas da Cultura em Portugal e no Mundo. Com a sua Morte, acompanhado de perto por Mota Rico, seu Irmão na Misericórdia, ficamos todos mais pobres. Distingo o Executivo Camarário pela pronta homenagem, a concretizar em forte testemunho para o Futuro.

Vivo, felizmente, Agostinho Almeida Santos, com nostalgia, vai proferir a sua última aula e jubilar-se no estrangeiro. De acordo com o seu nível profissional e científico, prevalecendo sempre a sua Honra e Dignidade. Perdeu Coimbra e as Instituições que serviu, em obediência à falta de ética que só reconhece servilismos.

Eu sei que a GNR conta com quadros à altura das missões de comando de que são incumbidos em cada momento. Mas fui apanhado de surpresa com a passagem à reserva do Comandante Coronel Dias Rosa. Presto-lhe aqui a minha Homenagem, que é, de certo, dos que na Instituição estiveram presentes, pelo brio e alta competência e dignidade com que exerceu o cargo de Comandante da Segurança, bem coadjuvado pelas Forças da G.N.R. e da PSP que comandava, de que fui testemunha na X Legislatura na Assembleia da República. As suas qualidades profissionais e humanas, granjearam-lhe não só a consideração e o respeito, mas a minha e a nossa Amizade.

Duas notas em contraste. A primeira, refere-se à odisseia que se viveu no Chile, com o drama vivido pelos mineiros soterrados, GRAÇAS A DEUS, como eles todos demonstraram ao regressarem à superfície, perante os vivas, as lágrimas, os risos, de Familiares, Amigos, População, Governantes. Espera-se que deste acontecimento os Povos da área e, principalmente os seus Governantes, iniciem uma nova era de Paz e harmonia. E foi brilhante o esforço conjugado de tantos, coroado pela Vitória!

Pelo contrário, não se antevê um breve desfecho e a paragem da tragédia que tem assolado a Hungria e muitas das suas Populações, como consequência da primazia da Guerra e da Morte sobre a Vida e a segurança ambiental da Humanidade. Depois de Chernobyl, façamos votos para que não se repetiam tragédias como estas e muitas outras idênticas como os derramamentos de crude nos mares que são grande parte do nosso suporte de Vida.

Duas referências, muito interligadas, me chamaram a atenção nos últimos dias: as consequências das cheias em terrenos “impróprios para consumo”, produto da falta de ordenamento(s) e dos imprescindíveis estudos prévios às urbanizações e outros empreendimentos do género, que em 2002 – e não foi ainda a “cheia do século passado”, sequer – bastantes estragos causaram também em Coimbra, cujas responsabilidades não são dos “últimos anos” como algumas fontes “oficiosas” têm insinuado para “tapar o sol com a peneira”, mas cujas causas já deveriam ter começado a ser obviadas à dezenas de anos. A outra nota refere-se à existência, agora, sobre a necessidade da criação de “hortas urbanas” como fonte de alimentos de subsistência e a produção de alimentos biologicamente aceitáveis.

Passando por alto a introdução em Portugal, nos anos 60, por imposição internacional, dos conceitos de defesa do Ambiente que se cifraram na criação da Comissão Nacional do Ambiente, é bom saber-se que a primeira legislação coerente sobre Ordenamento(s) dos Territórios Nacional e Locais, Ambiente, ruído, água, educação ambiental, etc., surgem com a Lei de Bases do Ambiente (ainda não regulamentada e muitas vezes atropelada!) e a expressão referente à utilidade das “hortas”, são da autoria do Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, titular da SE Ambiente no Governo Provisório e Ministro nos Governos de Aliança Democrática pelo P.P.M.. Portanto, não sobra tempo para implementar tudo aquilo que não se fez.

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