António Nogueira Leite considera ser “muito difícil” Portugal “escapar” à intervenção do FMI.

“Acho muito difícil (Portugal) escapar à vinda do FMI (Fundo Monetário Internacional)”, afirmou António Nogueira Leite, que falou, ontem (29), na Figueira da Foz, na tertúlia “125 minutos com…”, organizada pelo Casino Figueira, com a jornalista Fátima Campos Ferreira.  

Para o dirigente social democrata, a própria aprovação, pela Assembleia da República, da proposta do governo de Orçamento de Estado para 2011 (OE2011) não garante que “estejamos livres” da necessidade daquele organismo intervir no nosso país. 

“Este orçamento é o princípio do que aí vem”, disse, por outro lado, o conselheiro nacional do PSD, prevendo “dificuldades” acrescidas para os portugueses, que não se esgotarão nas medidas de austeridade preconizadas pela proposta do governo de OE2011.

“Devemos esperar o pior”, advertiu o economista, admitindo que vão ser necessários “cortes mais severos”. 

António Nogueira Leite entende, no entanto, que Portugal não poderá aumentar os impostos, para além dos valores previstos do OE2011. “Mais impostos matam a economia [portuguesa] que já está moribunda”, afirmou o conselheiro nacional do PSD. 

O problema da situação económica e financeira de Portugal “começou há 17 anos, quando o país passou a “produzir menos do que gasta”, acrescentou. “Estamos escravos da zona euro”, reagiu o vice-presidente do PSD, quando questionado sobre a possibilidade de Portugal abandonar a moeda única. 

A situação económica e financeira do país não permite equacionar o abandono da zona euro, sustentou o economista, considerando que tal opção provocaria ainda “maior pobreza”. De resto, sublinhou, “ninguém propõe isso, nem o Bloco de Esquerda”. 

Considerando que o atual governo não sobreviverá “para lá de março”, Nogueira Leite admitiu que o próximo Primeiro-ministro “poderá ser” Pedro Passos Coelho, “se não cometer muitos erros”. Mas o dirigente do PSD não excluiu a possibilidade do PS voltar a ganhar as eleições, embora julgue que “não é provável”. 

Questionado sobre a greve geral convocada para 24 de novembro, Nogueira Leite considera-a legítima e pensa que esta paralisação será reflexo da “instabilidade social que aí vem”. 

O vice-presidente do PSD não deixa, entretanto, de estranhar que o presidente da UGT (União Geral de Trabalhadores) apele à “greve contra o Orçamento de Estado” e, simultaneamente, “apele aos partidos para aprovarem aquele mesmo orçamento”.

 Orçamento de Estado para 2011

António Nogueira Leite afirmava também ontem (29) que Governo e PSD estavam perto de chegar a um acordo sobre o Orçamento do Estado para 2011 (OE2011), apesar das declarações feitas por Pedro Passos Coelho, ontem à noite.

 “É muito difícil que [Governo e PSD] estejam longe de um acordo, quando estão em causa 300 milhões”, num Orçamento de 80 mil milhões de euros, afirmou o dirigente social democrata. 

“Independentemente da minha opinião pessoal, acho muito difícil” que a aprovação do OE2011 “esteja em causa por aquele montante”, sublinhou António Nogueira Leite, que – disse – teve conhecimento das declarações de Pedro Passos Coelho, quando viajava de Lisboa para a Figueira da Foz, cerca de meia hora antes de manifestar esta convicção.

O líder do PSD afirmou que ainda “não há” acordo com o Governo para viabilizar o OE2011. No entanto, acrescentou Nogueira Leite, conselheiro nacional do PSD, durante a mesma viagem entre Lisboa e Figueira da Foz também teve conhecimento de que “os três canais de televisão anunciaram” que já havia acordo para viabilizar o documento – para noticiarem isso, “terá havido alguma razão”, comentou. 

Entretanto, o Governo e PSD aceitaram hoje (30) viabilizar o OE2011, com ambas as partes a cederem em relação às negociações anteriores. O PSD concordou com a subida taxa máxima do IVA para 23 por cento e o Governo a aceitar rever a taxa a aplicar a produtos para a alimentação humana, mantendo-se nos 6 por cento.

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